segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Discussão da cultura de Campos ecoa na Câmara Municipal

Por Aluysio, em 09-09-2013 - 16h30

Vereadores de oposição Marcão (PT) e Rafael Diniz (PPS)
Enquanto alguns vereadores observam que a política cultural do governo Rosinha não é feita para toda a população e o dinheiro utilizado para realização de eventos culturais, onde nem todos têm acesso, poderia ser utilizado para melhorias de outras áreas, outros edis dizem que a cultura de Campos está em um ritmo que agrada a todos.
Desde o final de julho deste ano, a Folha tem publicado entrevistas feitas pelo jornalista Aluysio Abreu Barbosa com figuras públicas envolvidas na cultura do município. Em todas as entrevistas, o ponto em comum respondido foi a administração pública de projetos culturais que foram feitas ao longo dos anos, tanto na atual gestão quanto nas anteriores.
De acordo com o vereador Marcão (PT), que teve um pedido de informação negado sobre shows, a política cultural de Campos é gastar sem efetivação. “Não tem cabimento um município carente no transporte público, sem merenda em escola, saúde com muitas reclamações, fazer shows que nem sempre é para a maioria. Realmente, a cultura no atual governo é de gastança. Afinal, cultura não é apenas show”, opinou
Já o edil Rafael Diniz (PPS) deixou claro que diante da insatisfação das pessoas e através das entrevistas publicadas no segundo caderno da edição impressa da Folha e, na versão online, no blog “Opiniões” do jornalista Aluysio Abreu Barbosa, é notório que a cultura em Campos não é feita para todos. “Não estão investindo em algo que beneficia a todos de uma forma geral. Vamos buscar projetos para investir em cultura, de fato, e continuar batendo nos investimentos feitos que precisem melhorar”, disse.
A cultura de Campos voltou a ser assunto de debate, entre artistas e políticos, após a peça de Nelson Rodrigues, “Bonitinha, mas ordinária”, ter sido vedada de ser apresentada no teatro municipal Trianon. Depois disso, outras polêmicas vieram à tona como o valor do show da cantora Maria Bethânia, que custou aos cofres públicos R$ 233.750,00, cujos ingressos — R$ 100 cada — esgotaram em menos de seis horas de vendagem.
Edis governistas Paulo Hirano (PR) e Jorge Magal (PR)
Edis governistas Paulo Hirano (PR) e Jorge Magal (PR)
O vereador Jorge Magal (PR) é um dos parlamentares que analisa a cultura de Campos como satisfatória para todos. “Tanto a pessoa mais humilde quanto aquelas com maior poder aquisitivo tem vez na cultura de Campos. O teatro Trianon, que foi trazido pelo casal Garotinho, é um espelho de que o governo tem feito grandes investimentos na cultura. Não acho que a política cultural é só de gastança. Vejo um funcionamento dentro da normalidade. A prefeitura atendeu a questão do boi pintadinho, do carnaval, da orquestra municipal, entre outros investimentos”, relatou.
Já o líder da bancada governista da Câmara, o vereador Paulo Hirano (PR), afirmou que a Prefeitura de Campos tem investido em várias áreas da Cultura, como, por exemplo, a construção do Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (Cepop), espaço adequado para grandes eventos. “Antes, a estrutura era montada em locais improvisados. Em cada ano, os eventos aconteciam em um local diferente e os comerciantes reclamavam muito disso”, disse ao ressaltar vários projetos realizados pela prefeita Rosinha. “O acesso à cultura continua, com as aulas de balé ministradas na Superintendência de Igualdade Racial, antiga Fundação Zumbi dos Palmares. Na sede da instituição acontecem também, aulas de capoeira, judô e teatro, além das atividades desenvolvidas em diferentes polos. Ou seja, é uma construção progressiva e Campos está virando uma usina de arte”, finalizou.
Jornalista e blogueiro Ricardo André Vasconcelos
Jornalista e blogueiro Ricardo André Vasconcelos
Na edição da Folha do dia 03 de setembro de 2013, o jornalista Ricardo André, em entrevista feita pelo jornalista Aluysio Abreu Barbosa, disse que a “cultura no governo Rosinha é só a da gastança”. “Em Campos não existe uma política cultural. Existe só a política eleitoral. Tudo é feito de olho no eleitor. O foco é o voto e como fazer para conquistá-lo. Parece que Campos não tem cidadão, só eleitor. O governo Rosinha não desce do palco nunca. Cadê o programa de incentivo à leitura?”, indagou.
O jornalista ressaltou também que com o dinheiro utilizado em shows, outros projetos poderiam ser feitos. “Com o dinheiro de um show de Jorge e Matheus e outro de Maria Bethânia você compraria um caminhão para fazer uma biblioteca itinerante. Dois shows de Michel Teló garantiriam a sobrevivência, por mais de um ano, das centenárias bandas que estão à míngua. E a política de publicação de livros de autores campistas? Formação de plateias para teatro? Nada! Cinema itinerante? Nada! Então não temos política cultural. Cultura no governo Rosinha, só a da gastança”, disse.
Artur Gomes, Adriano Moura, Deneval de Azevedo Filho, Arthur Soffiati, Cristina Lima e José Sisneiro
Artur Gomes, Adriano Moura, Deneval de Azevedo Filho, Arthur Soffiati, Cristina Lima e José Sisneiro
Além de Ricardo André o sétimo e último entrevistado até o momento, o primeiro entrevistado, logo após o impedimento da peça de Nelson Rodrigues ir ao palco do Trianon, foi o poeta, ator e professor do Instituto Federal Fluminense (IFF) Artur Gomes. O escritor, dramaturgo e professor Adriano Moura foi o segundo entrevistado e disse que “o artista não é apenas uma vítima no meio disso tudo”. Depois de Adriano, foi a vez do professor Deneval Siqueira de Azevedo Filho expressar sua experiência e opinião sobre o atual momento da cultura no município.
O professor, escritor, ambientalista e imortal da Academia Campista de Letras (ACL) Aristides Arthur Soffiati também deu seu parecer, em entrevista publicada no dia 11 de agosto, e disse: “A gente pensa que os artistas e intelectuais invariavelmente têm caráter e comportamento ético. Não é bem assim”. A filha do jornalista Oswaldo Lima e ex-presidente da fundação que leva o nome de seu pai, Cristina Lima, em entrevista publicada no dia 18 de agosto, disse que a cultura deve ser democrática.
A sexta entrevista aconteceu com o diretor, dramaturgo, ator e iluminador de teatro José Sisneiro, que disse: “O dinheiro da Prefeitura funciona como cabresto”.
Matéria do jornalista Mário Sérgio Junior, publicada na edição impressa da Folha de domingo e aqui, na Folha Online.
Aqui, o diretor teatral e poeta Antonio Roberto Kapi também participou em entrevista do debate sobre a cultura de Campos.

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