domingo, 15 de junho de 2014

Análise das pesquisas mostra bom momento para Dilma após a Copa

É bom olhar além das pesquisas de opinião para dar um passo à frente na análise de conjuntura e perceber seus impactos na futura campanha eleitoral. O vento está virando a favor de Dilma. Em termos políticos e econômicos, com todos os percalços, Dilma tem um cenário que caminha do estável para o positivo.

Por Antonio Lassance*


A presidenta Dilma Rousseff defendeu a participação social e a consulta no processo de decisão de políticas do governo.A presidenta Dilma Rousseff defendeu a participação social e a consulta no processo de decisão de políticas do governo.


















Como já se imaginava, PMDB e PDT oficializaram apoio à sua reeleição. PSD, PP, PTB, PROS e outros estão a caminho de fazer o mesmo, sem surpresas.

As resistências que a presidenta ainda encontra nesses partidos têm muito a ver com as disputas pelos governos estaduais. Mas, como em 2006 e 2010, é preciso olhar não só os candidatos a governador, mas a relação direta que o Planalto tem com prefeitos, inclusive os da oposição.

Mesmo a subida momentânea de Aécio nas pesquisas, maior e antes do esperado, contribui para configurar o cenário ideal para Dilma, na medida em que o PSDB se firma como o adversário principal e ideal para servir de saco de pancadas.

Dilma ainda depende, politicamente, de uma Copa do Mundo que transcorra com normalidade – torcida não só dela, mas da grande maioria da população.

Mesmo assim, os maiores riscos na Copa se concentram, sem sombra de dúvida, em São Paulo, com foco em um assunto do Governo do Estado – a campanha salarial dos metroviários.

Outro problema, a CPI da Petrobrás, tornou-se tão saturado que a própria oposição deixou de ir à sessão para ouvir o acusado que diziam ser o “homem bomba” do caso.

A possibilidade de segundo turno é ainda real, mas continua no fio da navalha. O desgaste de todos os políticos é um freio de mão puxado para os oposicionistas que, nos setores descontentes do eleitorado, são tidos mais como veneno do que como remédio para a política nacional.

Em termos econômicos, a inflação, alta no primeiro semestre, como no ano passado, tende a iniciar uma tendência de queda e reversão de expectativas negativas.

Além da melhora no preço dos alimentos, um fator crucial entrou em campo: o preço da energia está despencando. O nível dos reservatórios tem ficado acima do esperado, o que se reverte em uma previsão de afluência maior.

Somado à redução na demanda, durante o inverno, o preço da energia está caindo, e muito. A redução, em média, tem chegado a 45%. Na Região Sul, está sendo vendida 60% mais barata.

Na contramão, o governo tucano do Paraná pede que a Aneel conceda um tarifaço de 32% em favor da companhia elétrica de seu Estado. O assunto já virou tema de campanha dos oposicionistas Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) e é um prato cheio para ser nacionalizado.

De quebra, a ameaça de crise do sistema (apagões generalizados) ficou cada vez mais remota.
A partir de agosto, com bastante tempo de TV para fazer frente à campanha midiática tucanófila, será hora da candidata responder aos ataques e dizer a que veio, sem ter que se preocupar tanto com inflação, Petrobrás e Copa como tem feito agora.

O grande adversário de Dilma está no campo social. É o risco da mesmice, se seu programa não trouxer grandes e empolgantes propostas de mudança, e o desencanto com a política, para a qual a população gostaria de uma boa chacoalhada.

Quem sabe a própria oposição forneceu o mote ideal para chacoalhar o debate sobre o sistema político.

O decreto presidencial que reforça a participação popular no Governo Federal incomodou os partidos e a mídia tradicionais até mais do que se esperava.

É um ótimo sinal de uma boa briga – a mesma que se comprou em favor do Bolsa Família e dos Mais Médicos; a que faltou no Plano Nacional de Direitos Humanos-3.

*Antonio Lassance é cientista político. Portal Vermelho

O desenvolvimento econômico e o Investimento Externo Direto

Por Vermelho online

Um dos grandes desafios para o Brasil crescer e desenvolver-se é aumentar a sua produtividade. Isto é feito, basicamente, pela incorporação de máquinas modernas, qualificação da mão de obra e adoção de formas mais eficientes de produzir. A riqueza produzida precisa ser melhor distribuída por meio de investimentos sociais e em infraestrutura, e da elevação da renda para quem vive de salários. A ideia básica para a consecução desse projeto é alavancar o investimento, quesito no qual os governos Lula e Dilma têm feito enormes esforços.

Tomemos como exemplo, o Investimento Externo Direto (IED). Mesmo com o cenário derrotista apresentado diuturnamente pelo noticiário econômico, em 2012 o Brasil ficou com 5% do IED global, percentual que teve pequena queda em 2013, caindo para 4,3%. O IED é fonte de financiamento voltado à produção, portanto de maior qualidade e pouco sujeito a fugas rápidas em casos de crise. 

Um dos fatores que segue impulsionando esses fluxos para o Brasil é o ambiente de liquidez internacional bastante elevado. Como os investidores veem o Brasil com um potencial de crescimento econômico duradouro e superior aos dos países ricos, o resultado é a manutenção do elevado fluxo de investimento estrangeiro.

Além da pilha de dinheiro que precisa ser investido, o Brasil é tido como uma economia de grande potencial, especialmente pelo seu grande mercado consumidor. O desafio é qualificar a aplicação desse recurso. "O Investimento Estrangeiro Direto deve contribuir para uma mudança estrutural para a igualdade", disse a secretária executiva da Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, ao apresentar um relatório regional sobre o IED no período 2003-2013. De acordo com ela, esse “instrumento” deve ajudar a superar o grande desafio da região, que é a diversificação de sua matriz produtiva, com inovação, conhecimento e tecnologia. Vale ressaltar este alerta da Cepal, posto que ao lado de seu impulso positivo, o IED pode, também, implicar fenômenos negativos, como é caso da desnacionalização de setores estratégicos da economia, porque é frequente o seu ingresso no país por meio da aquisição de empresas. Por outro lado, é sempre grande o risco de aumento das remessas de lucro para o exterior, debilitando o balanço de pagamentos, com efeitos negativos para a economia nacional. 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, diz que, mesmo no período de maior turbulência da crise econômica internacional, o Brasil não deixou de receber IED. "De janeiro a março (de 2014) nós já temos, anualizado em 12 meses, US$ 65 bilhões (em IED)", declarou, pontuando que o país é um mercado "privilegiado" para esse tipo de aporte, por ter uma economia "sólida". "Nossa solidez pode ser vista pelo volume de reservas (internacionais)", avaliou. 

O ministro destacou ainda que a dívida externa brasileira de curto prazo está entre as menores do mundo. "A participação dos estrangeiros na nossa dívida pública é pequena, em torno de 17%", informou. De acordo com Mantega, mesmo na crise não houve redução na participação de estrangeiros na dívida brasileira, o que mostra que os estrangeiros "confiam e têm lucro na compra de títulos brasileiros". 

Uma das características mais marcantes do cenário de crise do capitalismo em plano global, que entrou em fase aguda em 2008, era a nova fase da economia dos países “emergentes”, bem distinta da histeria inaugurada nos anos 1980 pelos governos neoliberais de Margareth Thatcher (Reino Unido) e Ronald Reagan (Estados Unidos). Ali começou a pregação fundamentalista de que as “forças de mercado” substituiriam com sucesso a “vontade dos governos”. A justificativa para isso era a suposição arbitrária de que os defeitos dos governos seriam mais perversos à sociedade do que as falhas do mercado. 

A essa ideia somou-se outra: a de que os países menos desenvolvidos deveriam afrouxar os controles para a circulação de capitais especulativos em suas fronteiras, tese que serviu a ideologias que veem o mundo numa fase final da história, na qual só resta o caminho da conformação do eterno conflito entre ricos e pobres, entre centro e periferia. De acordo com esse raciocínio, a causa da pobreza de muitos não seria mais os instrumentos que garantem a riqueza de poucos. 

Passados seis anos desde que a crise ganhou proporções planetárias, este é, no fundo, o debate que realmente interessa ser travado para se contrapor o Brasil daqueles tempos neoliberais com o de hoje. A questão, evidentemente, comporta análises multifacetadas, mas o essencial é que o Brasil deve ter um crescimento contínuo, conceito que alguns chamam de “sustentável”. Para reduzir a pobreza, elevando a renda per capita, estudos mostram que o PIB precisa crescer entre 5% e 6% ao ano apenas para incorporar a mão de obra que está entrando anualmente no mercado de trabalho — além de absorver parte dos desempregados. Atrair investimentos é, assim, importante para desenvolver a economia no sentido apontado. 

sábado, 14 de junho de 2014

Por trás das vaias, ódio de classe e machismo

Estão dizendo que a COPA só podia ser vista pelas elites, então, as vaias e xingamentos contra a presidenta Dilma, na estréia do Brasil, mostrou a cara da elite brasileira preconceituosa, desrespeitosa, antidemocrática e agressiva. Pior é a contradição, passaram o ano todo criticando a FIFA e o GOVERNO mas pagaram R$ 500,00 para ver o jogo.
Enquanto isso, nas ruas, parte das elites, travestida de extrema esquerda, os BLACK MÉDIA, quebravam o patrimônio público e privado. Quem ta pagando esta logística toda???????????
Mandar um presidente tomar no c... em pleno estádio é coisa de gente honesta, de gente bem intencionada. É assim que você trata as divergências em casa ou no trabalho??????????
É este tipo de gente que quer mudar o Brasil????????????????

Por Gabriel Nascimento* Portal Vermelho


Dilma Rousseff na abertura. Foto: Nilton Fukuda/EstadãoDilma Rousseff na abertura. Foto: Nilton Fukuda/Estadão
Da ala mais elitizada do estádio, onde estava a classe média branca, acompanhada da burguesia rentista de sempre, desde Cabral, herdeira não só dos meios sociais de produção, mas do seu atraso, ouviu-se ofensas a uma presidenta republicana.

Que o ódio de classe ali foi retumbante e essencial, chocando inclusive colunistas de portais conservadores de nossa mídia, já sabemos bem. O ódio de classe à inclusão dos mais de 50 milhões que viviam sem consumir na massa de consumidores ativos, dos 36 milhões que passavam fome, daqueles que precisavam de um teto para morar, daqueles que viviam sem energia elétrica. Por trás das vaias a Dilma, desde aquele dia da abertura da Copa das Confederações, está o ódio dos que querem os privilégios de antes, com exclusividade, os que agora estão dividindo os aeroportos e o espaço público com esses novos consumidores. E eles querem a volta do encolhimento do espaço público, encenado aqui pelos dois governos neoliberais de FHC.

Entretanto, ao que parece, não é só ódio de classe o que está por trás das vaias e agressões.

Qualquer homem pode ser vaiado e ofendido com um sonoro “vá tomar no c***”, mas não há registro, até onde se saiba, de outras chefes de Estado do mundo que foram agredidas da mesma forma. As ofensas que a presidenta recebeu também são resultado de uma nação com história mal resolvida, cheia de tentativas de golpe, em que as mulheres representam 8% do congresso nacional, ainda recebem os menores salários comparados aos homens e não gozam da cidadania plena em diversos espaços. Não é só uma questão feminista ou de gênero, é uma questão de respeito e fidelidade aos dados. Pela primeira vez uma mulher foi eleita Presidenta da República em um governo de centro-esquerda, advinda de uma base de esquerda, que reúne um bloco de um projeto que há dez anos luta pela soberania do povo brasileiro. Dilma é, sobretudo, a maior liderança feminina do Brasil na contemporaneidade. Vai entrar para a história como a líder mundial que enfrentou o desrespeito dos Estados Unidos em relação à privacidade, como a economista que prefere acelerar a economia sem perder o foco na busca pela queda do desemprego, como a presidenta que deu continuidade ao programa de desenvolvimento macroeconômico, sem perder os investimentos na distribuição de renda e no salário social, do ex-presidente Lula. Mas, sobretudo, Dilma vai entrar para a história como uma mulher. É duro para essa elite vira-lata engolir isso.

Dilma é a presidenta que causou furor nos jornalistas gramatiqueiros da grande imprensa que insistem em chamá-la de presidente. Mesmo sendo “presidenta” um termo dicionarizado desde o século 19, tais jornalistas insistem em chama-la de “presidente”, com o falso morfema neutro de gênero (porque a língua está longe de ser neutra), não por obediência a um padrão gramatical que nem eles mesmos sabem ou seguem, embora se proponham rigorosamente nas asneiras a perder de vista a dizer que seguem, mas por machismo. A grande imprensa, ao insistir em chama-la de presidente, atende aos aspectos que as políticas culturais machistas sempre fizeram funcionar nas mais diversas alas conservadora da sociedade. O lugar da mulher, nessas alas, ainda se restringe ao lar, às comendas de resolução exclusiva dos problemas familiares e da distancia do espaço público.

Foram as mulheres da classe trabalhadora que iniciaram suas lutas na esfera pública, travando combates para conseguir legitimidade no espaço público, zelando pela luta em prol da cidadania plena, do direito ao voto, da redução da carga horária de trabalho etc. Se o espaço social, nessa máxima conservadora, é restrito aos homens, caso uma mulher brigue por chegar até lá e consiga, como é o caso de Dilma, o falso morfema neutro está ali para provar que a língua é o espaço mais intenso da luta de classes, entraves de gênero e políticas culturais, como diria o linguista e historiador russo Mikhail Bakhtin, e que a mulher pode até ocupar aquele espaço, mas que, ao fim e ao cabo, ali é um espaço de homens. Não vamos ser ingênuos, senhoras e senhores.

O furor das vaias e o do suposto morfema neutro de “presidente” utilizado para Dilma, mostram tanto o desconhecimento linguístico desses jornalistas e pseudo manifestantes mal educados dessa classe média branca, quanto a raiva de ter que assistir uma mulher figurar como a maior liderança política do Brasil na atualidade. Em tempo de vaias, é bom sempre lembrar que se trata de uma elite perdedora e, nesse caso, vaias e ofensas de elite atrasada chegam a ser um elogio.

*Gabriel Nascimento é da União da Juventude Socialista (UJS) e mestrando em Linguística Aplicada (UnB)



domingo, 8 de junho de 2014

Por causa da Copa, a velha mídia reforça “complexo de vira-latas”


ctb
A resposta que a presidenta Dilma deu ao apressado ex-jogador Ronaldo quando este cobrou publicamente suposto atraso em finalizações de estádios de futebol onde a Copa será disputada trouxe à tona expressão utilizada pelo dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues nos anos 1950 com o mesmo propósito que a presidenta.
Dilma respondeu que a Copa será um sucesso e que o brasileiro tem que superar o “complexo de vira-latas”. Nelson Rodrigues em crônicas esportivas, ainda antes de o Brasil conquistar o primeiro título do mundial em 1958, utilizou o termo para designar parte da elite tupiniquim que se recusa a assumir sua brasilidade e demonstra preconceito com a classe trabalhadora, a quem essa parcela da elite chama de brasileiros (em tom pejorativo), como se os trabalhadores pertencessem a outro país e não no mesmo em que eles nasceram.
copa1958A velha mídia nos últimos anos vem reforçando esse sentimento para ampliá-lo além da restrita classe média conservadora. A tática consiste em bombardear o público com notícias ruins, principalmente sobre corrupção (se for contra o governo federal ou à esquerda, com comprovação ou não). A estratégia é minar a autoestima dos brasileiros. Principalmente difundem aos borbotões preconceito contra os movimentos sociais e a classe trabalhadora.
A polêmica evidenciou na internet o documentário Complexo de Vira-latas, dirigido por Leandro Carproni, baseado em crônica esportiva de Nelson Rodrigues com várias entrevistas. Produção da Cabrueira Filmes e Sem Cortes, ao filme tem participação de Bruno Aranha, Bruno Silveira, Diego Silva, Nathália Bomfim, Priscila Chibante e Wallace Soares. Basta entrar no Google e pesquisar o nome do filme. Vale a pena assistir.
De acordo com Nelson Rodrigues o "complexo de vira-latas" só foi vencido quando o Brasil foi campeão em 1958 sob a liderança de atletas negros, principalmente a dupla Pelé e Garrincha, repetindo a dose em 1962, desta vez com Amarildo no lugar de Pelé contundido. O mais importante, no entanto, está em levantar a discussão sobre o o tema e o povo brasileiro mostrar que não é melhor nem pior, mas sim diferente dos outros povos e ainda bem que somos assim.
Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB
Assista o documentário Complexo de Vira-latas abaixo:
  

Dilma ordena que sem-teto sejam incluídos no Minha Casa, Minha Vida

A presidenta Dilma Rousseff ordenou que sua equipe encontre uma forma de incluir os sem-teto no programa Minha Casa, Minha Vida. A determinação fez com que seja adiado o lançamento da terceira geração do programa para elaborar uma proposta que contemple os movimentos.


Dilma Rousseff recebe lideranças do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-teto em 8 de maio, em São Paulo, para discutir o acesso ao programa Minha Casa, Minha Vida.
O foco do governo está, especialmente, no Movimentos dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), grupo social mais atuante nos últimos meses.

A ideia é incluir os sem-teto dentro de um dos braços da ação governamental, chamado de "entidades", modalidade na qual o Executivo libera recursos, e a própria organização executa as obras.

A presidenta ordenou que os ministérios das Cidades, do Planejamento e a Secretaria-Geral negociassem com os sem-teto para criar uma solução capaz de atender reivindicações, o que se configura como uma grande vitória do movimento e a demonstração de que a presidenta responde aos anseios populares.

Com agências

Após reunião, Comitê Central divulga resolução de apoio a Dilma

Realizou-se neste fim de semana, entre sexta-feira (6) e domingo (8), a terceira reunião plenária do Comitê Central do PCdoB. As deliberações, sobre o quadro político e a luta eleitoral de outubro deste ano serão remetidas à Convenção Nacional Eleitoral que se realizará no próximo dia 27, em Brasília. 


Segue abaixo resolução política intitulada Reeleger Dilma para o país avançar com mais mudanças. 
Às vésperas das convenções partidárias e da Copa do Mundo de Futebol, o Brasil vive, a um só tempo, dias de um intenso debate político sobre as eleições que irão decidir seu futuro e crescente expectativa pelo início do mais destacado evento esportivo do planeta. Neste contexto, a oposição começa o “campeonato” perdendo uma vez que, associadas a grandes veículos de comunicação da mídia nacional e mesmo estrangeira, politizam a Copa do pior modo possível: atuam para que o Brasil fracasse enquanto país-sede desse megaevento e negam os importantes ganhos econômicos, sociais e esportivos que o país já vem obtendo e o legado que terá ao sediá-lo.

Chegado o momento das decisões, o PCdoB reafirma sua avaliação de que grandes realizações foram empreendidas no período 2003-2014, nos governos Lula e Dilma, e, igualmente, expressa a certeza de que nos próximos quatro anos o país poderá, agora, em melhores condições, superar velhos obstáculos e adentrar a uma nova etapa de desenvolvimento, com mais mudanças e a realização das reformas estruturais democráticas – o que resultará em conquistas ainda maiores para a Nação e os trabalhadores. Alicerçado nestas convicções a direção nacional do PCdoB decide encaminhar à sua Convenção Nacional a proposta de apoio à candidatura de Dilma Rousseff à presidência da República, do Partido dos Trabalhadores, PT.

Ao tomar esta decisão, o PCdoB apresenta as razões que a fundamentam. São razões e argumentos que o Partido vem tornando públicos desde o seu 13º Congresso, realizado em novembro do ano passado, e atualizados no curso da luta política deste ano.

O que está em jogo é o destino do Brasil: avançar ou retroceder!
Quanto mais se aproximam as eleições de outubro, mais nítida se revela a encruzilhada política na qual se encontra o país. Seguir em frente – a passos rápidos avançando com mais mudanças e preservando as conquistas dos últimos 11 anos –, ou retroceder, marchar para trás, com o retorno da oposição conservadora que no exercício do poder, nos anos 1990, governou contra o povo, restringiu a democracia e aviltou a soberania do país.

A esta altura do confronto, no âmbito das oposições, a oligarquia financeira e o campo mais conservador das classes dominantes se inclinam a ungir o tucano Aécio Neves como seu candidato predileto. Ele faz de tudo para se consolidar como escolhido das forças conservadoras, e ao fazê-lo se desnuda. De cara, para não deixar dúvidas de quem representa, ressuscitou à cena política, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como padrinho de sua candidatura. A equipe de seu plano de governo agrega a fina-flor dos teóricos do neoliberalismo e destacados executivos dos rentistas. O candidato da direita, Aécio Neves diz aos banqueiros que está pronto para adotar receitas amargas, “impopulares”, cuja leitura não pode ser outra senão corte nos direitos e conquistas do povo. A alternativa programática que anuncia, embora camuflada e recauchutada para os dias atuais, é o velho receituário neoliberal que fracassou no mundo e no Brasil.

Dilma, a liderança capaz de conduzir o Brasil a uma nova etapa de desenvolvimento
O Brasil sob a presidência de Dilma Rousseff soube enfrentar os impactos negativos da crise do capitalismo. Crise que fez encolher a economia mundial e espalhou desemprego e corte de direitos sociais pelo mundo afora. A presidenta, por um lado, combate a crise sem penalizar os trabalhadores e nem recuar das políticas que retiram milhões da miséria – aliás, o Brasil está próximo de erradicar a extrema pobreza. Por outro lado, adota política de investimentos públicos e de parcerias com o capital privado para expandir a produção de energia e melhorar a infraestrutura logística, procurando, assim, elevar o crescimento econômico. A taxa de desemprego caiu para 5,9% em 2013, e, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), irá se reduzir mais em 2015. A política do aumento real do salário mínimo, que para setores da oposição é uma irresponsabilidade, se constitui numa importante alavanca para a valorização do trabalho e redução das desigualdades sociais.

A presidenta Dilma, nas manifestações de junho de 2013, mostrou seu compromisso com a ampliação da democracia, e na prática revelou o valor que atribui aos movimentos sociais, defendendo a importância do povo se manifestar e procurando atender suas reivindicações.

Recentemente, inclusive, normatizou por decreto a Política Nacional de Participação Social, consolidando a participação social como método de governo e fortalecendo instâncias como conselhos, conferências, consultas públicas, e até mesmo ambiente virtuais de participação social. Na contramão do grito das ruas por mais democracia, oposição revela mais uma vez sua essência autoritária ao se movimentar para tentar anular a correta e avançada iniciativa da presidenta Dilma.

Nos últimos quatro anos, o Brasil reforçou sua soberania, apostando na integração latino-americana e caribenha e na criação de um polo contra-hegemônico ao imperialismo estadunidense. No próximo mês de julho, em Fortaleza, a presidenta será a anfitriã da importante reunião da Cúpula do grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul).

Este conjunto de realizações se deu com o governo sob o bombardeio cerrado e constante do consórcio oposicionista constituído pelas forças conservadoras, pela oligarquia financeira e por grandes grupos de comunicação. Desse modo, a presidenta Dilma Rousseff emerge ao final de seu mandato e se lança à reeleição, com sua autoridade reforçada; tem o apoio anunciado de representativas legendas de um largo leque político que vai da esquerda ao centro; e, além disto, é uma liderança respeitada pelos movimentos sociais e estimada pelo povo. Mostrou, sob difíceis circunstâncias, a fibra e a competência da mulher brasileira. Dilma se apresenta, portanto, como uma líder capaz de renovar a esperança e conduzir o Brasil à nova etapa de desenvolvimento com mais mudanças e conquistas.

Campanha com um programa avançado e protagonismo do povo e da esquerda
A oposição conservadora, rejeitada pelo povo por três eleições consecutivas e diante de uma provável quarta derrota, turbinada pela grande mídia, despreza o debate programático e parte para o vale-tudo. A sucessão presidencial, portanto, prosseguirá sob acirrado confronto político e social. O PCdoB está convicto da quarta vitória do povo, da reeleição da presidenta Dilma, mas ressalta que a vitória se conquista batalha a batalha, lance a lance e nesta fase destacam-se a amplitude da coligação, que caminha por se concretizar; a necessária valorização do papel da esquerda e dos movimentos sociais; e o programa avançado de governo para a campanha de reeleição da presidenta.

O PCdoB defende que a campanha de reeleição da presidenta se configure numa grande mobilização nacional que forje uma nova maioria política e social em torno de um programa avançado. Na visão do PCdoB o eixo estruturante deste programa deve ser a realização das reformas estruturais democráticas. Com esta diretriz, o PCdoB irá aprovar na sua Convenção um elenco de ideias e propostas para o programa de governo da nossa candidata.

Entre as reformas estruturais democráticas, quatro, na atualidade, ganham destaque: a reforma política democrática que eleve a participação do povo na política, fortaleça os partidos e combata a influência do poder econômico e financeiro nas campanhas; a democratização da mídia monopolista que proporcione à sociedade o efetivo direito a uma comunicação plural, com plena liberdade de expressão, hoje sufocada pelos monopólios; uma reforma urbana que dê resposta à crise nas cidades, sobretudo para mobilidade urbana, segurança e moradia popular; e uma reforma tributária progressiva, que tribute mais as fortunas, o rentismo, e desonere a produção e o trabalho. Pela importância da reforma política democrática, o PCdoB propõe às forças populares e progressistas a formação de um pacto em torno de pontos que ampliem e aperfeiçoem a democracia.

Para o PCdoB, além da realização das reformas, se torna imperativo adotar uma política macroeconômica que contribua para aumentar os investimentos e elevar a produtividade da economia, favorecendo também, o revigoramento da indústria brasileira. Tais mudanças são indispensáveis para que o país tenha um crescimento robusto e duradouro, com mais produção de riquezas, condição indispensável para mais progresso social e mais valorização do trabalho. Um projeto para uma nova etapa requer, também, integrar o país nacionalmente, reduzindo as desigualdades regionais, implementando forte infraestrutura energética e logística e alternativas econômicas sustentáveis.

Convenções: arrancada para êxito do projeto eleitoral do PCdoB
Finalmente, a direção nacional do PCdoB conclama o conjunto de seus dirigentes e o coletivo militante que, apoiados no povo e na rede de amigos de nossa legenda, reforcem em todas as frentes de atuação o trabalho pela vitória do projeto eleitoral dos comunistas. As convenções devem desencadear um vigoroso esforço de engajamento de apoios às nossas candidaturas. O fortalecimento da esquerda brasileira, condição para o avanço das mudanças, precisa, necessariamente, do PCdoB mais forte, à frente de governos estaduais, como é o caso do governo do Maranhão, e com uma bancada maior na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e nas Assembleias Legislativas.

São Paulo, 8 de junho de 2014

O Comitê Central do Partido Comunista do Brasil-PCdoB

Blogueiros reagem ao ataque tucano à liberdade de expressão

A ofensiva do PSDB e de seu pré-candidato Aécio Neves contra blogueiros e ativistas digitais diz muito sobre o que poderia ser a vitória do neoconservadorismo na eleição presidencial de 2014.

Por Eduardo Guimarães, em seu blog*


  
Mais do que a reversão das políticas econômicas e sociais hoje em curso no Brasil – responsáveis pelo soerguimento de milhões da pobreza e da miséria –, o projeto tucano envolve censura a vozes dissonantes, destruição da organização sindical e social e pressão econômica contra países latino-americanos nos quais vigem projetos políticos de esquerda.

Essa é a avaliação que ativistas digitais e blogueiros, em reunião recente, extraíram dos últimos movimentos do PSDB, sobretudo na internet, arena na qual o seu pré-candidato a presidente começou a atuar, promovendo verdadeira caça aos críticos valendo-se de medidas judiciais e utilização da influência tucana na mídia, no Judiciário e no Ministério Público.

A internet, que deve se tornar a grande arena da disputa política de 2014, foi priorizada pela campanha tucana à Presidência. A entrevista de Lula a blogueiros em abril e a palestra do ex-presidente no 4º Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais sinalizaram para o comando da campanha tucana os primeiros alvos a serem “anulados”, mas que não são os únicos nem os últimos.

A ausência de reação mais contundente do PT contra o verdadeiro exército contratado pelo PSDB para atuar na internet e contra os grupos de mídia que dominam todas as outras plataformas de comunicação (grandes jornais e revistas, televisões e rádios) deu aos tucanos a vantagem de sair na frente na guerra comunicacional de 2014. Não no sentido estrito da comunicação digital, onde o PSDB é fraco, mas no ataque a comunicadores digitais.

O PSDB contratou, a peso de ouro, três dezenas de advogados de grandes e caríssimos escritórios que tentarão calar críticos e militantes petistas, em um dos mais contundentes ataques à liberdade de expressão desde a ditadura militar. Já o PT, fustigado pelas acusações da grande mídia de que é contrário à liberdade de expressão, apesar dos abusos que sofre na internet – sobretudo contra Lula e Dilma – evita reagir com tais instrumentos.

A grande ironia desse processo é que o PT, acusado de tentar cercear a “liberdade de imprensa”, nunca promoveu nenhum ataque às vozes dissonantes e críticas em qualquer plataforma de mídia, seja na corporativa ou na digital, via criminalização de hordas de internautas que espalham calúnias e insultos diariamente contra o governo federal, contra Dilma, contra Lula, contra o PT e contra qualquer um que os apoie.

O entendimento de que a estratégia de comunicação do PT e da campanha de Dilma ainda pode demorar a acordar para o tipo de jogo que o PSDB prepara foi o que levou ativistas digitais e blogueiros a se reunirem para compor um cronograma independente de reação à ofensiva tucana. É preciso denunciar ao Brasil e ao mundo a ofensiva do monstro censor tucano-aecista e à Justiça o colaboracionismo de autoridades aliadas ao PSDB.

São impressionantes as informações que entidades de blogueiros e ativistas digitais estão recolhendo sobre o aparato jurídico e midiático que está sendo edificado pelo PSDB para calar adversários na internet de forma que, fora da campanha dos partidos, a grande mídia possa atuar sem oposição em favor de Aécio. Todavia, a boa notícia é a de que a estratégia já foi detectada e, ainda que com atraso, a reação virá na mesma medida e intensidade que a ação.

*Blog da Cidadania
**Título original: Blogueiros e ativistas digitais reagirão ao ataque tucano à liberdade de expressão