Na primeira reunião realizada pela Assembleia Geral para tratar da questão do desarmamento nuclear, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, representante do bloco, declarou que "os Estados membros da Celac reiteram profunda preocupação diante da ameaça para a humanidade que representa a existência de armas nucleares e seu possível uso ou ameaça de uso. É uma necessidade urgente avançar para a meta de desarmamento nuclear".
Leia a íntegra de seu pronunciamento:
A Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe (Celac), que Cuba tem a honra de presidir, atribui uma grande importância à realização, pela primeira vez na história das Nações Unidas, de uma Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral sobre o Desarmamento Nuclear. Comprometemo-nos a participar de maneira ativa e contribuir com tudo o que seja possível para o êxito desta reunião.
Os Estados membros da Celac reiteram a profunda preocupação perante a ameaça que representa para a humanidade a contínua existência de armas nucleares e seu possível uso ou ameaça de uso.
É uma necessidade urgente avançar para o objetivo prioritário do desarmamento nuclear e conseguir a eliminação total e geral das armas nucleares. Nesse sentido, a Celac se soma aos esforços da comunidade internacional para avançar rumo à negociação de um instrumento universal juridicamente obrigatório que proíba as armas nucleares.
Nossa região atribui a mais alta prioridade a alcançar o desarmamento nuclear, completo e verificável. A única garantia contra o emprego ou a ameaça de uso das armas nucleares, é sua total eliminação.
O uso ou ameaça de uso de armas nucleares constitui um crime contra a humanidade e uma violação do Direito Internacional, incluído o Direito Internacional Humanitário, e a Carta das Nações Unidas.
Os Estados membros da Celac participarão de maneira ativa na elaboração de propostas concretas para alcançar o desarmamento nuclear universal, de acordo com um cronograma multilateralmente acordado, transparente, irreversível e verificável.
Constitui um interesse legítimo dos Estados não possuidores de armas nucleares, entre os quais se incluem todos os membros da Celac, que os Estados possuidores de armas nucleares deem garantias inequívocas e juridicamente obrigatórias de não usar nem ameaçar com o uso dessas armas. Instamos a trabalhar na negociação e adoção, no prazo mais breve possível, de um instrumento universal juridicamente obrigatório em matéria de garantias negativas de segurança.
Fazemos um chamamento a todos os Estados, particularmente os Estados possuidores de armas nucleares, a eliminar a função das armas nucleares em suas doutrinas, políticas de segurança e estratégias militares, ou como um enfoque prospectivo para a condução de conflitos, com a finalidade de alcançar a total eliminação deste armamento, independentemente de seu tipo ou localização geográfica.
Senhor presidente:
O estabelecimento de Zonas Livres de Armas Nucleares fortalece a paz e a segurança internacional e regional, assim como o regime de não proliferação, sendo uma importante contribuição para alcançar o desarmamento nuclear.
É motivo de orgulho para a América Latina e o Caribe ser a primeira área densamente povoada no mundo que se declarou como Zona Livre de Armas Nucleares (ZLAN), por meio do Tratado de Tlatelolco. A criação de uma ZLAN na região da América Latina e Caribe, contribuiu com o desarmamento e a não proliferação nuclear, assim como com a paz e a segurança regional e global.
O Tratado de Tlatelolco e o Organismo para a Proscrição das Armas Nucleares na América Latina e Caribe (Opanal), foram uma referência política, jurídica e institucional na criação de outras Zonas Livres de Armas Nucleares (ZLANs) em diferentes regiões do mundo. A experiência do Opanal constitui hoje, junto às outras quatro ZLANs existentes e a Mongólia como Estado declarado unilateralmente livre de armas nucleares, um importante patrimônio da comunidade internacional para inspirar a criação de novas ZLANs e avançar para o objetivo de um mundo livre de armas nucleares.
Instamos as potências nucleares a que retirem as declarações interpretativas aos Protocolos I e II do Tratado de Tlatelolco, que constituem verdadeiras reservas proibidas pelo Tratado, contribuindo assim para eliminar a possibilidade do uso de armas nucleares contra os países da região. Continuaremos trabalhando com os Estados Parte nos Protocolos, a fim de conseguir a retirada ou a adequação dessas declarações.
Lamentamos o não cumprimento do acordo sobre a realização em 2012 da Conferência Internacional para o estabelecimento no Oriente Médio de uma Zona Livre de Armas Nucleares e outras Armas de Destruição em Massa.
A realização desta Conferência é parte importante e integral do resultado final da Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação das Armas Nucleares (TNP) de 2010. Os acordos que resultem desta Conferência serão uma contribuição importante para alcançar o objetivo do desarmamento nuclear. Estamos firmemente convencidos de que o estabelecimento de tal Zona significaria um passo transcendental para o processo de paz na região do Oriente Médio.
Instamos à realização desta Conferência, o quanto antes.
Instamos os Estados possuidores de armas nucleares a que cumpram com urgência seus compromissos decorrentes do Artigo VI do TNP e avancem rumo à eliminação total dessas armas. Exige-se a plena e imediata aplicação das 13 medidas práticas para o desarmamento nuclear, acordadas na Conferência de Exame do TNP do ano 2000, assim como o Plano de Ação aprovado na Conferência de Exame de 2010.
Senhor presidente:
Reafirmamos o direito inalienável dos Estados a desenvolver a pesquisa, a produção e o uso pacífico da energia nuclear sem discriminação e em conformidade com os Artigos I, II, III e IV do TNP. Todas as Partes do Tratado se comprometeram a facilitar a participação no intercâmbio mais completo possível de equipamentos, materiais e informação científica e tecnológica para o uso pacífico da energia nuclear.
Expressamos total rechaço ao aperfeiçoamento das armas nucleares existentes e ao desenvolvimento de novos tipos dessas armas, o que é inconsistente com a obrigação de um completo desarmamento nuclear. Todos os Estados devem abster-se de efetuar explosões de testes de armas nucleares, outras explosões nucleares ou qualquer outro experimento não explosivo relevante, incluindo experimentos subcríticos, para fins de desenvolvimento de armas nucleares. Estas ações são contrárias ao objeto e propósito do Tratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares, seu espírito, senão a letra, socavando seu impacto desejado como una medida de desarmamento nuclear.
Exigimos que se proíbam completamente os testes nucleares de todo tipo. Os Estados do anexo II, cuja ratificação é imprescindível para a entrada em vigor do Tratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares, devem acelerar seu processo de assinatura e/ou ratificação de tal instrumento, como uma questão prioritária, e uma mostra de sua vontade política e de seu compromisso com a paz e a segurança internacionais.
Reafirmamos a importância de que se iniciem as negociações para a adoção de um instrumento internacional juridicamente obrigatório que proíba as armas nucleares e nosso compromisso em favor deste objetivo prioritário.
A Primeira Sessão Extraordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas dedicada ao Desarmamento estabeleceu a Conferência de Desarmamento (CD) como único órgão de negociação multilateral de desarmamento. Instamos a CD a demostrar a vontade política necessária para assegurar o início, sem mais demora, de trabalhos substantivos, através da adoção e implementação de um programa de trabalho equilibrado e integral que faça avançar a agenda de desarmamento nuclear.
Reconhecemos o labor do Grupo de Trabalho de Composição Aberta criado pela Resolução A/RES/67/56 da Assembleia Geral das Nações Unidas, com o mandato de elaborar propostas para fazer avançar as negociações multilaterais de desarmamento nuclear. Os Estados membros da Celac contribuíram com propostas concretas para a atividade desse Grupo.
Reiteramos o firme compromisso da Celac de trabalhar na convocação de uma Conferência Internacional de Alto Nível para identificar as vias e métodos para eliminar as armas nucleares no prazo mais curto possível, com o objetivo de acordar um programa por fases para a eliminação completa das armas nucleares em um período de tempo específico, que proíba seu desenvolvimento, produção, aquisição, teste, armazenamento, transferência, uso ou ameaça de uso, e estipular sua destruição.
Os Estados Membros da Celac enfatizam a grande preocupação pelas consequências humanitárias de enormes proporções e os efeitos globais de qualquer explosão nuclear acidental ou intencional. Exortamos a comunidade internacional a reiterar sua preocupação sobre as consequências humanitárias das armas nucleares, seja onde for que se leve a cabo o debate sobre este tipo de armas.
Damos as boas vindas aos resultados da Conferência de Oslo sobre o Impacto Humanitário das Armas Nucleares, realizada em março de 2013, e nesse sentido conclamamos todos os Estados a participar na segunda Conferência Internacional sobre o Impacto Humanitário das Armas Nucleares que se realizará no México, nos dias 13 e 14 de fevereiro de 2014.
Os Estados Membros da Celac continuarão coordenando posições e contribuirão para a implementação de ações práticas na sequência desta Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral, incluindo a adoção de uma resolução sobre o tema na Primeira Comissão durante o 68º período ordinário de sessões da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Senhor presidente:
Cuba, pequeno país que defendeu sua independência inclusive perante a ameaça de um holocausto nuclear, participará ativamente no movimento internacional, defendido pelo líder histórico da revolução cubana Fidel Castro Ruz, para reclamar a destruição de todas as armas nucleares, cuja mera existência põe em perigo a sobrevivência da espécie humana.
Fonte: Cubadebate
Tradução de José Reinaldo Carvalho para o Blog da Resistência [www.zereinaldo.blog.br]
A "Marcha das Vadias", movimento mundial de mulheres que luta
por políticas de defesa à mulher, realiza pela primeira vez neste sábado
(28) um ato em Ribeirão Preto, no interior (313 km de São Paulo).
Nesta data também é comemorado o dia Latino Americano e Caribenho pela
Descriminalização do Aborto.

Marcha das vadias em Ribeirao Preto / foto: mídia ninja
A passeata começou por volta das 11h em frente ao Theatro Pedro 2º, no
calçadão da rua General Osório, e segue pelas ruas da região central da
cidade. A Policia Militar acompanha.
A organização é feita por instituições como a Frente Feminista de
Ribeirão e o Coletivo Feminista Capitu, fundado por estudantes da
faculdade de direito da USP de Ribeirão Preto.
Elas reivindicam políticas públicas e integrais de atenção à saúde da
mulher, entre elas, a descriminalização e legalização do aborto.
O movimento também pede a igualdade de salários e condições de trabalho
para homens e mulheres, fim da violência obstétrica e autonomia da
mulher para dar à luz como quiser, e a criminalização da homofobia e da
transfobia.
"Queremos sensibilizar as autoridades a implementar políticas para as
mulheres contra a violência em geral, tanto contra mulheres quanto
outros tipos de violência", disse Raquel Altoe, 19, estudante de direito
e integrante da Frente Feminista de Ribeirão.
A previsão é que a marcha retorne ao Theatro Pedro 2º. No local, estão
previstas rodas de conversa feminista, batucada e intervenções
artísticas, a partir das 14 horas.
A Marcha das Vadias recebeu esse nome após uma onda de estupros na Universidade de Toronto, no Canadá, em janeiro de 2011.
Um policial convidado para orientar sobre segurança disse que as
mulheres poderiam evitar o estupro se "não se vestissem como vadias".
A fala, que coloca a mulher como culpada pela agressão, gerou muita indignação e a primeira Marcha das Vadias.
O movimento se espalhou pelo mundo, com o caráter de denunciar a violência contra a mulher e a atribuição da culpa à vítima.
Com Folha de S. Paulo
Os ministérios do Trabalho e da Educação vão firmar acordo
para criar um novo modelo de convênios de formação profissional, por
meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego
(Pronatec), a fim de acabar com as fraudes que levaram a Polícia Federal
a prender mais de 20 pessoas neste mês, durante a Operação Esopo, que
descobriu desvio de R$ 400 milhões nos últimos cinco anos.
O Pronatec foi criado pelo governo
federal em 2011, com o objetivo de ampliar a oferta de cursos de
educação profissional e tecnológica. A informação sobre a nova
metodologia dos convênios foi dada pelo ministro do Trabalho, Manoel
Dias, após participar hoje (26) da abertura do seminário Fortalecimento
da Indústria Brasileira e do Emprego, na Confederação Nacional da
Indústria (CNI).
Enquanto isso, disse o ministro, foram tomadas medidas internas para
evitar que os problemas se repitam. Uma delas é a suspensão, por 30
dias, dos contratos suspeitos, que terão as contas analisadas por um
grupo de trabalho do qual participam representantes da Caixa Econômica
Federal. De acordo com o ministro, esse “estoque de contas” deve ser
concluído na próxima semana.
Fonte: Agência Brasil
O Ministério Público vai receber nesta segunda-feira (30) o
relatório do inquérito da Divisão de Homicídios que apura o
desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza. Ele foi visto
pela última vez no dia 14 de julho, quando foi levado por policiais
militares para a sede da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha para
averiguação, durante a operação policial “Paz Armada”. No documento,
pelo menos cinco policiais serão indiciados.Também será pedida a prisão
preventiva dos acusados.

Caso Amarildo: policiais deverão ser presos na próxima semana / foto: Paula Giolito Agência O Globo
Entre eles o major Edson Santos, ex-comandante da UPP da comunidade,
serão acusados pelo crime de sequestro seguido de morte de Amarildo.
A prisão preventiva, ainda de acordo com fontes da polícia e do MP, será
pedida porque testemunhas do crime denunciaram ter havido coação,
tentativa de suborno e intimidação durante as investigações.
O relatório será entregue dois meses depois de o caso ter sido assumido
pela Divisão de Homicídios. De acordo com as investigações, Amarildo
teria sido levado na noite de domingo pelos policiais Douglas Roberto
Vital Machado, conhecido como Cara de Macaco, Jorge Luiz Gonçalves
Coelho, Marlon Campos Reis e Victor Vinícius Pereira da Silva. Cara de
Macaco, segundo o inquérito, seria desafeto da família do ajudante de
pedreiro e abordou Amarildo quando ele saía de uma birosca, próxima de
sua casa. Mesmo com moradores relatando ter pedido para ele deixar
Amarildo em paz, o PM Vital teria falado através do rádio com o major
Santos, que determinou que o levassem até a UPP.
Fonte: O Globo
Com o objetivo de inserir as questões específicas do setor de
transporte na ampla pauta dos trabalhadores, ocorreu na sexta-feira (27)
o Seminário do Ramo do Transporte da Central de Trabalhadores e
Trabalhadoras do Brasil (CTB), em São Paulo. “A importância do seminário
consiste em conseguir inserir a demanda dos trabalhadores desta área
nas discussões a respeito de mobilidade urbana, tão em voga no país”,
disse Onofre Gonçalves, presidente da CTB-SP.

Com expectativa da participação de 100 representantes sindicais, ficou
definida a realização de um grande seminário nacional, na capital, entre
os dias 11 e 12 de dezembro. Também ficou acertada a formação de uma
comissão com cinco representantes de estados e setores diferentes para
encaminharem a realização do evento.
“Esse é o primeiro passo e todos devemos nos imbuir do propósito de
colaborar com a organização da coordenação de transporte da CTB, para
compreender as necessidades de quem trabalha na área”, defendeu José
Tavares Filho, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Ceará
(Sindicam).
No encontro os sindicalistas também definiram pela construção de
propostas que possam intervir na política de transporte no Brasil, em
todas as áreas. “Devemos unificar a demanda de cada área dos transportes
e uní-las em pontos que definam um objetivo geral para podermos nos
inserir no debate nacional. E encaminhar um projeto amplo com ideia de
transformá-lo na proposta da CTB para o setor de transporte“, defendeu
Marco Aurélio Lucas da Silva, dirigente do Sindicato Nacional dos
Oficiais da Marinha Mercante.
O grupo concluiu a necessidade de organizar com mais força a coordenação
de transporte na CTB e com a realização do seminário para dar um salto,
com objetivos definidos de acordo com a demanda que entrou em discussão
a partir das manifestações de junho, inclusive com a proposta de
criação de uma política de mobilidade urbana nacional. Todos concordaram
que os trabalhadores não podem ficar de fora desse debate. Ao finalizar
a reunião, Onofre de Jesus preconizou a urgência dos trabalhadores do
transporte “atuarem mais em conjunto para melhorar os encaminhamentos
desse setor tão crucial pra o país”, definiu.
Portal CTB
A intransigência da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e a
condução nada convencional utilizados para tentar enfraquecer a greve
legítima e pacifica dos bancários foram debatidos pelo Comando Nacional,
nesta quinta-feira (26). O presidente da Federação Bahia e Sergipe,
Emanoel Souza, participou da reunião.

Assembleia dos bancários na Quadra, em São Paulo, na quinta (26) / Foto Joao Ubaldo
Os trabalhadores repudiaram a postura dos bancos, que têm dado entrada
em interdito proibitório em diversos estados. No entanto, a grande
maioria das ações está sendo indeferida, em outras palavras, as empresas
estão amargando derrotas.
As arbitrariedades têm feito o movimento se fortalecer a cada dia. Até
esta quinta-feira (26/09), 10.586 agências foram fechadas em todo o
país, o que faz da greve de 2013 a maior dos últimos anos. O número, no
entanto, vai crescer.
Indignada com a postura dos bancos, a categoria promete fechar mais
unidades. A intenção é forçar os banqueiros para que apresentem uma nova
proposta que contemple as reivindicações sociais e econômicas. O
Comando Nacional também manifestou a disposição em negociar, mas a
Fenaban continua em silêncio.
Jornada pelo trabalho decente
Durante a reunião do Comando Nacional, nesta quinta-feira (26), os
bancários reafirmaram a necessidade em combater o projeto de lei 4330,
que libera a terceirização em todas as atividades da empresa. No dia 7
de outubro, durante a Jornada Mundial pelo Trabalho Decente, os
trabalhadores realizam protestos por todo o país pelo arquivamento do
PL.
Se aprovada, a prática vai causar sérios prejuízos aos brasileiros. Isso
porque a empresa poderá contratar apenas terceirizados, acabando com o
vínculo empregatício e todos os direitos garantidos na CLT (Consolidação
das Leis Trabalhistas).
Desta forma, salários serão reduzidos, jornada de trabalho vai aumentar
e, o pior, sem qualquer benefício, como as horas extras. Outros direitos
também podem acabar, como o FGTS e as férias. A completa precarização
das relações de trabalho.
Rumos da greve
Após a reunião do Comando de greve, em diversos estados bancários se
reuniram para avaliar os rumos do movimento. Na Bahia, a categoria
avaliaram a greve no Estado e na base do Sindicato. Uma nova assembleia
acontece segunda-feira (30), às 18h30, quando a categoria vai definir
ações para a semana.
Entre públicos e privados, a Bahia e Sergipe somam 994 agências
fechadas. Na Caixa, a Bahia lidera adesão à greve nacional de acordo com
o sistema de ponto eletrônico da empresa. Das 241 unidades, apenas
quatro funcionam e o Sindicato trabalha para atingir a meta de 100%.
No BB, foram fechadas 80% das unidades e a tendência é aumentar. No BNB,
cinco estados registram 100% de participação na greve, são eles Bahia,
Sergipe, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Os demais bancos têm
90% das agências paradas.
Fonte: Portal CTB com agências
São gravíssimos os atos de espionagem praticados pela NSA – a
Agência Nacional de Segurança dos EUA – contra os Chefes de Estado do
Brasil e do México. Nada, absolutamente nada pode justificar a
interceptação de telefonemas e a invasão da correspondência reservada
dos Presidentes da República de países amigos, ferindo a sua soberania e
desrespeitando os princípios mais elementares da legalidade
internacional.
Por Luiz Inácio Lula da Silva, no sítio do Instituto Lula
E é mais grave ainda que importantes
autoridades norte-americanas tenham querido legitimar tal agressão com o
argumento de que os EUA estariam “protegendo” os interesses dos nossos
países.
À medida que a verdade dos fatos vai sendo revelada, fica evidente que,
no caso brasileiro, além da Presidente Dilma Rousseff, a Petrobrás,
nossa empresa petrolífera, também foi espionada pela NSA, o que desmente
as alegadas – e já por si inaceitáveis – razões de segurança.
A inadmissível ingerência nos assuntos internos do Brasil e as falsas
razões alegadas provocaram a indignação da sociedade e do governo
brasileiros. A Presidente Dilma Rousseff já questionou diretamente o
Presidente Barack Obama sobre o problema e aguarda uma resposta
convincente, à altura de sua gravidade.
O governo brasileiro está tratando o caso com a maturidade e o sentido
de responsabilidade que caracterizam a Presidente Dilma Rousseff e a
nossa diplomacia – mas é impossível subestimar o impacto que ele pode
ter, se não for adequadamente resolvido, para as relações Brasil-EUA.
Basta imaginar o escândalo e a comoção que aconteceriam nos Estados
Unidos se algum país amigo interceptasse ilegalmente, sob qualquer
pretexto, os telefonemas e a correspondência reservada de seu
Presidente.
O que leva um país como os EUA, tão justamente ciosos de sua democracia e
de sua legalidade internas, a afrontarem a democracia e a legalidade
dos outros? O que faz pensar às autoridades norte-americanas que elas
podem e principalmente devem agir de modo tão insensato contra um país
amigo? O que as faz acreditar que não existe nenhum inconveniente moral
ou político em desrespeitar o Chefe de Estado, as instituições e as
empresas do Brasil ou de qualquer outro país democrático?
E o mais inexplicável é que essa flagrante ofensa à soberania e à
democracia brasileiras acontece num contexto de excelentes relações
bilaterais. O Brasil, historicamente, sempre valorizou as suas relações
com os Estados Unidos. Nos últimos dez anos, trabalhamos ativamente, e
com bons resultados, para ampliar ainda mais a interação econômica e
política do Brasil com os EUA. Mantivemos ótimo diálogo institucional e
pessoal com os seus governantes. Apostamos em uma parceria de fato
estratégica entre os dois países, baseada em interesses comuns, sem
prejuízo do nosso esforço pela integração da América Latina e de um
maior intercambio com a África, a Europa e a Ásia.
Para isso, não hesitamos em enfrentar a desconfiança e o ceticismo de
amplos setores da opinião pública brasileira, ainda traumatizados pela
participação direta do governo norte-americano no golpe de Estado de
1964 e o seu permanente apoio à ditadura militar (como, de resto, a
outras ditaduras militares do continente). Nunca duvidamos de que
aprofundar o diálogo e fortalecer os laços econômicos e diplomáticos com
os Estados Unidos fosse a melhor maneira de ajudá-los a superarem
aquela página sombria das relações interamericanas, e a sua política de
ingerência autoritária e antipopular na região.
No episódio atual, se ambos os países querem preservar o muito que as
nossas relações bilaterais avançaram nas décadas recentes, cabe uma
explicação crível e o necessário pedido de desculpas dos EUA. Mais do
que isso: impõe-se a sua decidida mudança de atitude, pondo fim a tais
práticas abusivas.
Os EUA devem compreender que a desejável parceria estratégica entre os
dois países não pode assentar-se na atitude conspirativa de uma das
partes. Condutas ilegais e desrespeitosas certamente não contribuem para
construir uma confiança duradoura entre os nossos povos e os nossos
governos.
Um episódio como esse, por outro lado, demonstra o esgotamento da atual
governança mundial, cujas instituições, regras e decisões são
frequentemente atropeladas por países que muitas vezes confundem seus
interesses particulares com os interesses de toda a comunidade
internacional. Demonstra que é mais urgente do que nunca superar o
unilateralismo, seja ele dos EUA ou de qualquer outro país, e criar
verdadeiras instituições multilaterais, capazes de conduzir o planeta
com base nos preceitos do Direito Internacional e não na lei dos mais
fortes.
O mundo de hoje, como ninguém ignora, é muito diferente daquele que
emergiu da 2ª Guerra Mundial. Além da descolonização africana e
asiática, diversos países do sul se modernizaram e industrializaram,
conquistando importantes progressos sociais, culturais e tecnológicos.
Com isso, adquiriam um peso muito superior no cenário mundial. Hoje, os
países que não fazem parte do G-8 representam nada menos que 70% da
população e 60% da economia do mundo. Mas a ordem política global
continua tão monopolizada e restritiva quanto no inicio da guerra fria. A
maioria dos países do mundo está excluída dos verdadeiros espaços de
decisão. É injustificável, por exemplo, que a África e a América Latina
não tenham nenhum membro permanente no Conselho de Segurança das Nações
Unidas. Ou que a Índia esteja fora dele. A governança global precisa
refletir o mundo contemporâneo. O Conselho de Segurança só será
plenamente legítimo e democrático – e acatado por todos – quando as
várias regiões do mundo participarem dele, e os seus membros não
defenderem apenas os próprios interesses geopolíticos e econômicos, mas
representarem efetivamente o anseio de todos os povos pela paz, a
democracia e o desenvolvimento.
Esse episódio e outros semelhantes apontam também para uma questão
crucial: a necessidade de uma governança democrática para a internet, de
modo que ela seja cada vez mais um terreno de liberdade, criatividade e
cooperação – e não de espionagem.
* Luiz Inácio Lula da Silva é ex-presidente do Brasil
(título original "Democracia e parceria" alterado por redação Vermelho)