domingo, 29 de setembro de 2013

Celac: “Desarmamento nuclear é necessidade urgente"


Na primeira reunião realizada pela Assembleia Geral para tratar da questão do desarmamento nuclear, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, representante do bloco, declarou que "os Estados membros da Celac reiteram profunda preocupação diante da ameaça para a humanidade que representa a existência de armas nucleares e seu possível uso ou ameaça de uso. É uma necessidade urgente avançar para a meta de desarmamento nuclear".


Leia a íntegra de seu pronunciamento:

A Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe (Celac), que Cuba tem a honra de presidir, atribui uma grande importância à realização, pela primeira vez na história das Nações Unidas, de uma Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral sobre o Desarmamento Nuclear. Comprometemo-nos a participar de maneira ativa e contribuir com tudo o que seja possível para o êxito desta reunião.

Os Estados membros da Celac reiteram a profunda preocupação perante a ameaça que representa para a humanidade a contínua existência de armas nucleares e seu possível uso ou ameaça de uso.

É uma necessidade urgente avançar para o objetivo prioritário do desarmamento nuclear e conseguir a eliminação total e geral das armas nucleares. Nesse sentido, a Celac se soma aos esforços da comunidade internacional para avançar rumo à negociação de um instrumento universal juridicamente obrigatório que proíba as armas nucleares.

Nossa região atribui a mais alta prioridade a alcançar o desarmamento nuclear, completo e verificável. A única garantia contra o emprego ou a ameaça de uso das armas nucleares, é sua total eliminação.

O uso ou ameaça de uso de armas nucleares constitui um crime contra a humanidade e uma violação do Direito Internacional, incluído o Direito Internacional Humanitário, e a Carta das Nações Unidas.

Os Estados membros da Celac participarão de maneira ativa na elaboração de propostas concretas para alcançar o desarmamento nuclear universal, de acordo com um cronograma multilateralmente acordado, transparente, irreversível e verificável.

Constitui um interesse legítimo dos Estados não possuidores de armas nucleares, entre os quais se incluem todos os membros da Celac, que os Estados possuidores de armas nucleares deem garantias inequívocas e juridicamente obrigatórias de não usar nem ameaçar com o uso dessas armas. Instamos a trabalhar na negociação e adoção, no prazo mais breve possível, de um instrumento universal juridicamente obrigatório em matéria de garantias negativas de segurança.

Fazemos um chamamento a todos os Estados, particularmente os Estados possuidores de armas nucleares, a eliminar a função das armas nucleares em suas doutrinas, políticas de segurança e estratégias militares, ou como um enfoque prospectivo para a condução de conflitos, com a finalidade de alcançar a total eliminação deste armamento, independentemente de seu tipo ou localização geográfica.

Senhor presidente:

O estabelecimento de Zonas Livres de Armas Nucleares fortalece a paz e a segurança internacional e regional, assim como o regime de não proliferação, sendo uma importante contribuição para alcançar o desarmamento nuclear.

É motivo de orgulho para a América Latina e o Caribe ser a primeira área densamente povoada no mundo que se declarou como Zona Livre de Armas Nucleares (ZLAN), por meio do Tratado de Tlatelolco. A criação de uma ZLAN na região da América Latina e Caribe, contribuiu com o desarmamento e a não proliferação nuclear, assim como com a paz e a segurança regional e global.

O Tratado de Tlatelolco e o Organismo para a Proscrição das Armas Nucleares na América Latina e Caribe (Opanal), foram uma referência política, jurídica e institucional na criação de outras Zonas Livres de Armas Nucleares (ZLANs) em diferentes regiões do mundo. A experiência do Opanal constitui hoje, junto às outras quatro ZLANs existentes e a Mongólia como Estado declarado unilateralmente livre de armas nucleares, um importante patrimônio da comunidade internacional para inspirar a criação de novas ZLANs e avançar para o objetivo de um mundo livre de armas nucleares.

Instamos as potências nucleares a que retirem as declarações interpretativas aos Protocolos I e II do Tratado de Tlatelolco, que constituem verdadeiras reservas proibidas pelo Tratado, contribuindo assim para eliminar a possibilidade do uso de armas nucleares contra os países da região. Continuaremos trabalhando com os Estados Parte nos Protocolos, a fim de conseguir a retirada ou a adequação dessas declarações.

Lamentamos o não cumprimento do acordo sobre a realização em 2012 da Conferência Internacional para o estabelecimento no Oriente Médio de uma Zona Livre de Armas Nucleares e outras Armas de Destruição em Massa.

A realização desta Conferência é parte importante e integral do resultado final da Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação das Armas Nucleares (TNP) de 2010. Os acordos que resultem desta Conferência serão uma contribuição importante para alcançar o objetivo do desarmamento nuclear. Estamos firmemente convencidos de que o estabelecimento de tal Zona significaria um passo transcendental para o processo de paz na região do Oriente Médio.

Instamos à realização desta Conferência, o quanto antes.

Instamos os Estados possuidores de armas nucleares a que cumpram com urgência seus compromissos decorrentes do Artigo VI do TNP e avancem rumo à eliminação total dessas armas. Exige-se a plena e imediata aplicação das 13 medidas práticas para o desarmamento nuclear, acordadas na Conferência de Exame do TNP do ano 2000, assim como o Plano de Ação aprovado na Conferência de Exame de 2010.

Senhor presidente:

Reafirmamos o direito inalienável dos Estados a desenvolver a pesquisa, a produção e o uso pacífico da energia nuclear sem discriminação e em conformidade com os Artigos I, II, III e IV do TNP. Todas as Partes do Tratado se comprometeram a facilitar a participação no intercâmbio mais completo possível de equipamentos, materiais e informação científica e tecnológica para o uso pacífico da energia nuclear.

Expressamos total rechaço ao aperfeiçoamento das armas nucleares existentes e ao desenvolvimento de novos tipos dessas armas, o que é inconsistente com a obrigação de um completo desarmamento nuclear. Todos os Estados devem abster-se de efetuar explosões de testes de armas nucleares, outras explosões nucleares ou qualquer outro experimento não explosivo relevante, incluindo experimentos subcríticos, para fins de desenvolvimento de armas nucleares. Estas ações são contrárias ao objeto e propósito do Tratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares, seu espírito, senão a letra, socavando seu impacto desejado como una medida de desarmamento nuclear.

Exigimos que se proíbam completamente os testes nucleares de todo tipo. Os Estados do anexo II, cuja ratificação é imprescindível para a entrada em vigor do Tratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares, devem acelerar seu processo de assinatura e/ou ratificação de tal instrumento, como uma questão prioritária, e uma mostra de sua vontade política e de seu compromisso com a paz e a segurança internacionais.

Reafirmamos a importância de que se iniciem as negociações para a adoção de um instrumento internacional juridicamente obrigatório que proíba as armas nucleares e nosso compromisso em favor deste objetivo prioritário.

A Primeira Sessão Extraordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas dedicada ao Desarmamento estabeleceu a Conferência de Desarmamento (CD) como único órgão de negociação multilateral de desarmamento. Instamos a CD a demostrar a vontade política necessária para assegurar o início, sem mais demora, de trabalhos substantivos, através da adoção e implementação de um programa de trabalho equilibrado e integral que faça avançar a agenda de desarmamento nuclear.

Reconhecemos o labor do Grupo de Trabalho de Composição Aberta criado pela Resolução A/RES/67/56 da Assembleia Geral das Nações Unidas, com o mandato de elaborar propostas para fazer avançar as negociações multilaterais de desarmamento nuclear. Os Estados membros da Celac contribuíram com propostas concretas para a atividade desse Grupo.

Reiteramos o firme compromisso da Celac de trabalhar na convocação de uma Conferência Internacional de Alto Nível para identificar as vias e métodos para eliminar as armas nucleares no prazo mais curto possível, com o objetivo de acordar um programa por fases para a eliminação completa das armas nucleares em um período de tempo específico, que proíba seu desenvolvimento, produção, aquisição, teste, armazenamento, transferência, uso ou ameaça de uso, e estipular sua destruição.

Os Estados Membros da Celac enfatizam a grande preocupação pelas consequências humanitárias de enormes proporções e os efeitos globais de qualquer explosão nuclear acidental ou intencional. Exortamos a comunidade internacional a reiterar sua preocupação sobre as consequências humanitárias das armas nucleares, seja onde for que se leve a cabo o debate sobre este tipo de armas.

Damos as boas vindas aos resultados da Conferência de Oslo sobre o Impacto Humanitário das Armas Nucleares, realizada em março de 2013, e nesse sentido conclamamos todos os Estados a participar na segunda Conferência Internacional sobre o Impacto Humanitário das Armas Nucleares que se realizará no México, nos dias 13 e 14 de fevereiro de 2014.

Os Estados Membros da Celac continuarão coordenando posições e contribuirão para a implementação de ações práticas na sequência desta Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral, incluindo a adoção de uma resolução sobre o tema na Primeira Comissão durante o 68º período ordinário de sessões da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Senhor presidente:

Cuba, pequeno país que defendeu sua independência inclusive perante a ameaça de um holocausto nuclear, participará ativamente no movimento internacional, defendido pelo líder histórico da revolução cubana Fidel Castro Ruz, para reclamar a destruição de todas as armas nucleares, cuja mera existência põe em perigo a sobrevivência da espécie humana.

Fonte: Cubadebate
Tradução de José Reinaldo Carvalho para o Blog da Resistência [www.zereinaldo.blog.br]



Marcha das Vadias toma conta das ruas de Ribeirão Preto


A "Marcha das Vadias", movimento mundial de mulheres que luta por políticas de defesa à mulher, realiza pela primeira vez neste sábado (28) um ato em Ribeirão Preto, no interior (313 km de São Paulo). Nesta data também é comemorado o dia Latino Americano e Caribenho pela Descriminalização do Aborto.




Marcha das vadias em Ribeirao Preto / foto: mídia ninja

A passeata começou por volta das 11h em frente ao Theatro Pedro 2º, no calçadão da rua General Osório, e segue pelas ruas da região central da cidade. A Policia Militar acompanha.
A organização é feita por instituições como a Frente Feminista de Ribeirão e o Coletivo Feminista Capitu, fundado por estudantes da faculdade de direito da USP de Ribeirão Preto.
Elas reivindicam políticas públicas e integrais de atenção à saúde da mulher, entre elas, a descriminalização e legalização do aborto.
O movimento também pede a igualdade de salários e condições de trabalho para homens e mulheres, fim da violência obstétrica e autonomia da mulher para dar à luz como quiser, e a criminalização da homofobia e da transfobia.
"Queremos sensibilizar as autoridades a implementar políticas para as mulheres contra a violência em geral, tanto contra mulheres quanto outros tipos de violência", disse Raquel Altoe, 19, estudante de direito e integrante da Frente Feminista de Ribeirão.
A previsão é que a marcha retorne ao Theatro Pedro 2º. No local, estão previstas rodas de conversa feminista, batucada e intervenções artísticas, a partir das 14 horas.
A Marcha das Vadias recebeu esse nome após uma onda de estupros na Universidade de Toronto, no Canadá, em janeiro de 2011.
Um policial convidado para orientar sobre segurança disse que as mulheres poderiam evitar o estupro se "não se vestissem como vadias".
A fala, que coloca a mulher como culpada pela agressão, gerou muita indignação e a primeira Marcha das Vadias.
O movimento se espalhou pelo mundo, com o caráter de denunciar a violência contra a mulher e a atribuição da culpa à vítima.

Com Folha de S. Paulo

PRONATEC: Ministérios vão criar novos convênios de formação profissional


Os ministérios do Trabalho e da Educação vão firmar acordo para criar um novo modelo de convênios de formação profissional, por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), a fim de acabar com as fraudes que levaram a Polícia Federal a prender mais de 20 pessoas neste mês, durante a Operação Esopo, que descobriu desvio de R$ 400 milhões nos últimos cinco anos.


O Pronatec foi criado pelo governo federal em 2011, com o objetivo de ampliar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica. A informação sobre a nova metodologia dos convênios foi dada pelo ministro do Trabalho, Manoel Dias, após participar hoje (26) da abertura do seminário Fortalecimento da Indústria Brasileira e do Emprego, na Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Enquanto isso, disse o ministro, foram tomadas medidas internas para evitar que os problemas se repitam. Uma delas é a suspensão, por 30 dias, dos contratos suspeitos, que terão as contas analisadas por um grupo de trabalho do qual participam representantes da Caixa Econômica Federal. De acordo com o ministro, esse “estoque de contas” deve ser concluído na próxima semana.

Fonte: Agência Brasil

PMs acusados do desaparecimento de Amarildo devem ser presos


O Ministério Público vai receber nesta segunda-feira (30) o relatório do inquérito da Divisão de Homicídios que apura o desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza. Ele foi visto pela última vez no dia 14 de julho, quando foi levado por policiais militares para a sede da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha para averiguação, durante a operação policial “Paz Armada”. No documento, pelo menos cinco policiais serão indiciados.Também será pedida a prisão preventiva dos acusados. 




Caso Amarildo: policiais deverão ser presos na próxima semana / foto: Paula Giolito Agência O Globo


Entre eles o major Edson Santos, ex-comandante da UPP da comunidade, serão acusados pelo crime de sequestro seguido de morte de Amarildo.

A prisão preventiva, ainda de acordo com fontes da polícia e do MP, será pedida porque testemunhas do crime denunciaram ter havido coação, tentativa de suborno e intimidação durante as investigações.

O relatório será entregue dois meses depois de o caso ter sido assumido pela Divisão de Homicídios. De acordo com as investigações, Amarildo teria sido levado na noite de domingo pelos policiais Douglas Roberto Vital Machado, conhecido como Cara de Macaco, Jorge Luiz Gonçalves Coelho, Marlon Campos Reis e Victor Vinícius Pereira da Silva. Cara de Macaco, segundo o inquérito, seria desafeto da família do ajudante de pedreiro e abordou Amarildo quando ele saía de uma birosca, próxima de sua casa. Mesmo com moradores relatando ter pedido para ele deixar Amarildo em paz, o PM Vital teria falado através do rádio com o major Santos, que determinou que o levassem até a UPP.

Fonte: O Globo

CTB se reúne para discutir Seminário Nacional de Transporte


Com o objetivo de inserir as questões específicas do setor de transporte na ampla pauta dos trabalhadores, ocorreu na sexta-feira (27) o Seminário do Ramo do Transporte da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), em São Paulo. “A importância do seminário consiste em conseguir inserir a demanda dos trabalhadores desta área nas discussões a respeito de mobilidade urbana, tão em voga no país”, disse Onofre Gonçalves, presidente da CTB-SP.





Com expectativa da participação de 100 representantes sindicais, ficou definida a realização de um grande seminário nacional, na capital, entre os dias 11 e 12 de dezembro. Também ficou acertada a formação de uma comissão com cinco representantes de estados e setores diferentes para encaminharem a realização do evento.

“Esse é o primeiro passo e todos devemos nos imbuir do propósito de colaborar com a organização da coordenação de transporte da CTB, para compreender as necessidades de quem trabalha na área”, defendeu José Tavares Filho, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Ceará (Sindicam).

No encontro os sindicalistas também definiram pela construção de propostas que possam intervir na política de transporte no Brasil, em todas as áreas. “Devemos unificar a demanda de cada área dos transportes e uní-las em pontos que definam um objetivo geral para podermos nos inserir no debate nacional. E encaminhar um projeto amplo com ideia de transformá-lo na proposta da CTB para o setor de transporte“, defendeu Marco Aurélio Lucas da Silva, dirigente do Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante.

O grupo concluiu a necessidade de organizar com mais força a coordenação de transporte na CTB e com a realização do seminário para dar um salto, com objetivos definidos de acordo com a demanda que entrou em discussão a partir das manifestações de junho, inclusive com a proposta de criação de uma política de mobilidade urbana nacional. Todos concordaram que os trabalhadores não podem ficar de fora desse debate. Ao finalizar a reunião, Onofre de Jesus preconizou a urgência dos trabalhadores do transporte “atuarem mais em conjunto para melhorar os encaminhamentos desse setor tão crucial pra o país”, definiu.

Portal CTB

Bancários ampliam greve e fecham mais de 10 mil agências no país


A intransigência da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e a condução nada convencional utilizados para tentar enfraquecer a greve legítima e pacifica dos bancários foram debatidos pelo Comando Nacional, nesta quinta-feira (26). O presidente da Federação Bahia e Sergipe, Emanoel Souza, participou da reunião.




Assembleia dos bancários na Quadra, em São Paulo, na quinta (26) / Foto Joao Ubaldo

Os trabalhadores repudiaram a postura dos bancos, que têm dado entrada em interdito proibitório em diversos estados. No entanto, a grande maioria das ações está sendo indeferida, em outras palavras, as empresas estão amargando derrotas.

As arbitrariedades têm feito o movimento se fortalecer a cada dia. Até esta quinta-feira (26/09), 10.586 agências foram fechadas em todo o país, o que faz da greve de 2013 a maior dos últimos anos. O número, no entanto, vai crescer.

Indignada com a postura dos bancos, a categoria promete fechar mais unidades. A intenção é forçar os banqueiros para que apresentem uma nova proposta que contemple as reivindicações sociais e econômicas. O Comando Nacional também manifestou a disposição em negociar, mas a Fenaban continua em silêncio.

Jornada pelo trabalho decente

Durante a reunião do Comando Nacional, nesta quinta-feira (26), os bancários reafirmaram a necessidade em combater o projeto de lei 4330, que libera a terceirização em todas as atividades da empresa. No dia 7 de outubro, durante a Jornada Mundial pelo Trabalho Decente, os trabalhadores realizam protestos por todo o país pelo arquivamento do PL.

Se aprovada, a prática vai causar sérios prejuízos aos brasileiros. Isso porque a empresa poderá contratar apenas terceirizados, acabando com o vínculo empregatício e todos os direitos garantidos na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas).

Desta forma, salários serão reduzidos, jornada de trabalho vai aumentar e, o pior, sem qualquer benefício, como as horas extras. Outros direitos também podem acabar, como o FGTS e as férias. A completa precarização das relações de trabalho.

Rumos da greve

Após a reunião do Comando de greve, em diversos estados bancários se reuniram para avaliar os rumos do movimento. Na Bahia, a categoria avaliaram a greve no Estado e na base do Sindicato. Uma nova assembleia acontece segunda-feira (30), às 18h30, quando a categoria vai definir ações para a semana.

Entre públicos e privados, a Bahia e Sergipe somam 994 agências fechadas. Na Caixa, a Bahia lidera adesão à greve nacional de acordo com o sistema de ponto eletrônico da empresa. Das 241 unidades, apenas quatro funcionam e o Sindicato trabalha para atingir a meta de 100%.

No BB, foram fechadas 80% das unidades e a tendência é aumentar. No BNB, cinco estados registram 100% de participação na greve, são eles Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Os demais bancos têm 90% das agências paradas.

Fonte: Portal CTB com agências

Lula: "Nada justifica a espionagem dos EUA"


São gravíssimos os atos de espionagem praticados pela NSA – a Agência Nacional de Segurança dos EUA – contra os Chefes de Estado do Brasil e do México. Nada, absolutamente nada pode justificar a interceptação de telefonemas e a invasão da correspondência reservada dos Presidentes da República de países amigos, ferindo a sua soberania e desrespeitando os princípios mais elementares da legalidade internacional.

Por Luiz Inácio Lula da Silva, no sítio do Instituto Lula


E é mais grave ainda que importantes autoridades norte-americanas tenham querido legitimar tal agressão com o argumento de que os EUA estariam “protegendo” os interesses dos nossos países.

À medida que a verdade dos fatos vai sendo revelada, fica evidente que, no caso brasileiro, além da Presidente Dilma Rousseff, a Petrobrás, nossa empresa petrolífera, também foi espionada pela NSA, o que desmente as alegadas – e já por si inaceitáveis – razões de segurança.

A inadmissível ingerência nos assuntos internos do Brasil e as falsas razões alegadas provocaram a indignação da sociedade e do governo brasileiros. A Presidente Dilma Rousseff já questionou diretamente o Presidente Barack Obama sobre o problema e aguarda uma resposta convincente, à altura de sua gravidade.

O governo brasileiro está tratando o caso com a maturidade e o sentido de responsabilidade que caracterizam a Presidente Dilma Rousseff e a nossa diplomacia – mas é impossível subestimar o impacto que ele pode ter, se não for adequadamente resolvido, para as relações Brasil-EUA.

Basta imaginar o escândalo e a comoção que aconteceriam nos Estados Unidos se algum país amigo interceptasse ilegalmente, sob qualquer pretexto, os telefonemas e a correspondência reservada de seu Presidente.

O que leva um país como os EUA, tão justamente ciosos de sua democracia e de sua legalidade internas, a afrontarem a democracia e a legalidade dos outros? O que faz pensar às autoridades norte-americanas que elas podem e principalmente devem agir de modo tão insensato contra um país amigo? O que as faz acreditar que não existe nenhum inconveniente moral ou político em desrespeitar o Chefe de Estado, as instituições e as empresas do Brasil ou de qualquer outro país democrático?

E o mais inexplicável é que essa flagrante ofensa à soberania e à democracia brasileiras acontece num contexto de excelentes relações bilaterais. O Brasil, historicamente, sempre valorizou as suas relações com os Estados Unidos. Nos últimos dez anos, trabalhamos ativamente, e com bons resultados, para ampliar ainda mais a interação econômica e política do Brasil com os EUA. Mantivemos ótimo diálogo institucional e pessoal com os seus governantes. Apostamos em uma parceria de fato estratégica entre os dois países, baseada em interesses comuns, sem prejuízo do nosso esforço pela integração da América Latina e de um maior intercambio com a África, a Europa e a Ásia.

Para isso, não hesitamos em enfrentar a desconfiança e o ceticismo de amplos setores da opinião pública brasileira, ainda traumatizados pela participação direta do governo norte-americano no golpe de Estado de 1964 e o seu permanente apoio à ditadura militar (como, de resto, a outras ditaduras militares do continente). Nunca duvidamos de que aprofundar o diálogo e fortalecer os laços econômicos e diplomáticos com os Estados Unidos fosse a melhor maneira de ajudá-los a superarem aquela página sombria das relações interamericanas, e a sua política de ingerência autoritária e antipopular na região.

No episódio atual, se ambos os países querem preservar o muito que as nossas relações bilaterais avançaram nas décadas recentes, cabe uma explicação crível e o necessário pedido de desculpas dos EUA. Mais do que isso: impõe-se a sua decidida mudança de atitude, pondo fim a tais práticas abusivas.

Os EUA devem compreender que a desejável parceria estratégica entre os dois países não pode assentar-se na atitude conspirativa de uma das partes. Condutas ilegais e desrespeitosas certamente não contribuem para construir uma confiança duradoura entre os nossos povos e os nossos governos.

Um episódio como esse, por outro lado, demonstra o esgotamento da atual governança mundial, cujas instituições, regras e decisões são frequentemente atropeladas por países que muitas vezes confundem seus interesses particulares com os interesses de toda a comunidade internacional. Demonstra que é mais urgente do que nunca superar o unilateralismo, seja ele dos EUA ou de qualquer outro país, e criar verdadeiras instituições multilaterais, capazes de conduzir o planeta com base nos preceitos do Direito Internacional e não na lei dos mais fortes.

O mundo de hoje, como ninguém ignora, é muito diferente daquele que emergiu da 2ª Guerra Mundial. Além da descolonização africana e asiática, diversos países do sul se modernizaram e industrializaram, conquistando importantes progressos sociais, culturais e tecnológicos. Com isso, adquiriam um peso muito superior no cenário mundial. Hoje, os países que não fazem parte do G-8 representam nada menos que 70% da população e 60% da economia do mundo. Mas a ordem política global continua tão monopolizada e restritiva quanto no inicio da guerra fria. A maioria dos países do mundo está excluída dos verdadeiros espaços de decisão. É injustificável, por exemplo, que a África e a América Latina não tenham nenhum membro permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ou que a Índia esteja fora dele. A governança global precisa refletir o mundo contemporâneo. O Conselho de Segurança só será plenamente legítimo e democrático – e acatado por todos – quando as várias regiões do mundo participarem dele, e os seus membros não defenderem apenas os próprios interesses geopolíticos e econômicos, mas representarem efetivamente o anseio de todos os povos pela paz, a democracia e o desenvolvimento.

Esse episódio e outros semelhantes apontam também para uma questão crucial: a necessidade de uma governança democrática para a internet, de modo que ela seja cada vez mais um terreno de liberdade, criatividade e cooperação – e não de espionagem.

* Luiz Inácio Lula da Silva é ex-presidente do Brasil

(título original "Democracia e parceria" alterado por redação Vermelho)