No distrito de Ponta Grossa dos Fidalgos, em Campos, os moradores têm
encontrado diversas dificuldades, tais como escolas sem professores e
sem refeitório, atendimento precário no posto de saúde, transporte
coletivo escasso, segurança ineficaz e ausência de área de lazer e
creche.
Atualmente, o ensino das escolas tem preocupado os pais de alunos. De
acordo com os moradores, a escola municipal Colônia de Pesca não possui
refeitório e eles afirmam que o espaço é pequeno.
— Os alunos comem
merenda dentro das salas e tem alunos que estudam na sala do diretor.
Já fizemos abaixo assinado para mudar isso — explicou a dona de casa
Mara Regina Tereza, de 32 anos.
Ainda segundo a dona de casa,
crianças já repetiram o ano devido a este transtorno. Além disso, na
escola José de Azevedo os alunos ficam sem aula com frequência.
O departamento de infraestrutura da secretaria municipal de Educação
de Campos (SMEC) enviará para a Secretaria de Obras uma solicitação de
reformas e ampliação. Ainda em relação à falta de professores, a
coordenação de Recursos Humanos da secretaria informou que os
professores do último concurso estão sendo convocados.
Outro problema enfrentado em Ponta Grossa é o atendimento precário do
posto de saúde. Alguns moradores afirmam que no posto faltam remédios
(captopril, anticoncepcional), médicos e vacina.
— Este posto de saúde sempre foi assim e não encontramos médicos. Se
você chega às 20h, já não tem mais médico. Além de tudo, falta
anticoncepcional e ginecologista. O atendimento e atenção têm que ser 24
horas — explicou a dona de casa Renata Ferreira, de 30 anos.
O Departamento de Assistência Farmacêutica (DAF) entrou em contato
com a direção da UBS de Ponta Grossa e confirmou que os medicamentos
citados não estão em falta.
Na opinião dos moradores, o transporte coletivo também deixa a desejar.
— O transporte aqui é horrível. Quantas vezes ficamos por horas no
ponto de ônibus e, às vezes, quando temos que ir a Campos, perdemos o
dia. Será que não vêem que precisamos de outra linha? — indagou a dona
de casa Mara Regina Tereza.
O edital de licitação do transporte
público de Campos já foi liberado pela Empresa Municipal de Transportes
(Emut), que vem trabalhando para garantir aos moradores de Campos um
transporte de qualidade num futuro bem próximo.
Falta de patrulha torna local perigoso:
As pessoas que moram em Ponta Grossa não se sentem seguras pelas
ruas. Seja a hora que for, para elas, a segurança deixa a desejar, uma
vez que assaltos têm se tornado constantes na localidade.
— Aqui a
segurança parece não existir. Precisamos de um destacamento militar que
nos atenda. As ruas não nos deixam seguros e não vemos patrulhamento
hora nenhuma do dia ou da noite. Só Jesus para ter pena de nós —
comentou o pescador Amaro José, de 40 anos.
A assessoria da Polícia
Militar (PM) informou que o patrulhamento ocorre regularmente no
distrito, com viaturas 24 horas por dia. Entretanto, o patrulhamento em
Ponta Grossa será intensificado. A PM pede aos moradores que, caso
desconfiem de qualquer coisa, pessoas estranhas ou indivíduos suspeitos,
denunciem através do disque denuncia 2723-1177 ou mesmo pelo 190.
Comunidade pede área de lazer e creche:
A falta de segurança se une à ausência de uma área de lazer e creche,
o que preocupa ainda mais os moradores de Ponta Grossa dos Fidalgos.
As
crianças não têm onde brincar e seus pais não confiam em deixá-las nas
ruas. Se isso não bastasse, as crianças mais novas não têm onde estudar.
— A Lagoa Feia aqui seria a única área de lazer, mas nem ela traz
segurança. Tenho dez filhos e eles não têm onde brincar, porque não tem
uma praça, uma quadra. Não tem nada em Ponta Grossa. Fomos abandonados e
não é de hoje — afirmou a dona de casa Maria Zuleide Rodrigues, de 37
anos.
A secretaria municipal de Obras e Urbanismo informou que a
localidade será contemplada com um conjunto habitacional do Programa
Morar Feliz e que no condomínio será construída uma área de lazer e
oferecida à comunidade.
Sobre a falta de creche, a secretaria de
Educação informou que em Tócos, localidade vizinha, existe a Creche
Escola Desembargador Sebastião Amaro da Silva Machado que atende criança
da educação infantil com idade entre zero a três anos.
Marcele Salerno fmanha.com.br