terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Governo cria força-tarefa para áreas afetadas pelas chuvas


A presidente Dilma Rousseff determinou a criação de uma força-tarefa composta por 50 profissionais para atuar nas áreas de risco no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, afetados pelas chuvas. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (9) pelo ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra. Segundo ele, o trabalho do grupo interministerial não será restrito ao período de chuvas. A ideia é traçar uma política de investimento em reconstrução e prevenção.


ministros coletiva de imprensa Ministros concedem entrevista coletiva no Palácio do Planalto e anunciam criação de força nacional para combater chuvas e enchentes / foto: Ichiro Guerra/PR
A Força Nacional de Apoio Técnico de Emergência será formada por seis ministérios e vai atuar na prevenção de desastres naturais e reconstrução de municípios atingidos.

“Uma força-tarefa de 50 especialistas que serão alocados nas regiões de mais alto risco [que estão], neste primeiro momento, nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo", explicou Bezerra, durante coletiva de imprensa no início da tarde desta segunda-feira (9) juntamente com outros ministros ligados à área de infraestrutura e atendimento à população estavam presentes. Eles se reuniram com a presidente da República durante a manhã para discutir ações para as vítimas das chuvas no país, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).

Segundo determinação de Dilma, os profissionais - 35 geólogos e 15 hidrólogos - devem ser disponibilizados nas próximas horas por órgãos do governo federal. Quatro geólogos já foram enviados a Minas Gerais, dois para o Espírito Santo e outros dois para o Rio de Janeiro.

Medidas

Outra medida tomada pela Presidência da República é a reabertura dos créditos de um fundo nacional destinado à prevenção de catástrofes, que atualmente acumula R$ 444 milhões. Alguns municípios e estados já começaram, inclusive, a formalizar pedidos para assistência à população atingida e ações de reconstrução.

Durante o trabalho, serão identificadas ações que podem ser feitas a médio e longo prazo e, depois, será traçada uma política de investimento em reconstrução e prevenção.

“A presidente recomendou que os centros se mantivessem em plena operação até o final de março, não só para apoiar as ações em campo, em conjunto com as defesas civis estaduais e municipais, mas também para que ao longo desse período possamos identificar ações de longo e médio prazo dentro de uma política de investimento na área de reconstrução e sobretudo na área de prevenção”, disse o ministro.

Também serão antecipados os pagamentos do Bolsa Família e liberados recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para os moradores dos municípios em situação de calamidade.

O ministro interino da Defesa, general Enzo Peri, falou que o Exército trabalha diretamente com os agentes da Defesa Civil na remoção das famílias e no transporte de alimentos. Uma ponte móvel já foi instalada, em Minas, e há condições para montagem imediata de um hospital de campanha para atender eventuais vítimas.

Alexandre Padilha, da pasta da Saúde, afirmou que serão enviados 800 quilos de medicamentos para as áreas mais atingidas, somando 12,8 toneladas o total já encaminhado pelo governo. Além disso, a Força Nacional do SUS, com dois mil profissionais cadastrados, vai trabalhar nas unidades de saúde.

Maior atuação

A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que coordenou o início da mobilização dos ministérios na ação para as chuvas, reforçou que o governo tem trabalhado na área de prevenção de desastre naturais, desde 2011.

"O Ministério da Integração trabalha juntamente com a Ciência e Tecnologia há meses", disse Gleisi. “A presidente agora determinou a mobilização muito forte do governo”.

Ao ser questionada sobre a atuação do governo, Gleisi afirmou que a atuação do governo não é tardia, já que as catástrofes atingem o Sudeste do país todos os anos. Pelo contrário, esta “é uma das vezes em que estamos trabalhando de forma mais preparada”.

Ela reforçou  que a prioridade do governo é salvar vidas. “Evitar mortes é nossa prioridade número um”, disse Gleisi Hoffmann, em entrevista coletiva após a reunião.

Já Aloizio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia, afirmou que a Agência Nacional de Águas (ANA) identificou alertas de inundações em algumas regiões para os próximos dias, como dos rios Doce, Muriaé e Baixo da Paraíba do Sul. Há ainda risco de inundação na cidade de Rio Branco, capital do Acre.Também há alerta de mais chuvas para Belo Horizonte, Ouro Preto e Juiz de Fora, no eestado de Minas Gerais.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemanden) prevê fortes chuvas na região serrana do Rio de Janeiro, em Vitória, no Espírito Santo. O ministro lembrou que, em dezembro, a chuva em Minas Gerais bateu recorde histórico.

“Uma força-tarefa continua mapeando in loco para identificar os locais mais vulneráveis e retirar as pessoas”, disse.

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, disse que, em dezembro e janeiro, 37 trechos de rodovias federais foram atingidos pelas chuvas, dos quais seis estão totalmente interrompidos, 20 parcialmente interrompidos e 11 liberados. Os trechos estão localizados em 16 rodovias de cinco estados diferentes.

Com agências

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Moradores de Outeiro começam a ser retirados após rompimento de dique

Cerca de 900 pessoas devem ficar desalojadas na localidade de Cardoso Moreira

Moradores de Cardoso Moreira andam pela cidade, completamente alagada. O município é um dos sete do estado em situação de emergência, e no domingo um dique rompeu na localidade de Outeiro. Cerca de 900 pessoas devem ficar desalojadas Foto: Prefeitura de Cardoso Moreira / Divulgação
Moradores de Cardoso Moreira andam pela cidade, completamente alagada. O município é um dos sete do estado em situação de emergência, e no domingo um dique rompeu na localidade de Outeiro. Cerca de 900 pessoas devem ficar desalojadas Prefeitura de Cardoso Moreira / Divulgação
RIO - Equipes da Defesa Civil estadual e da Defesa Civil de Campos continuam, desde cedo, o trabalho de remoção das famílias que vivem na localidade de Outeiro, em Cardoso Moreira, onde um dique se rompeu no domingo. Foi o segundo dique que se rompeu na região em menos de uma semana. Alguns moradores estão indo voluntariamente para casas de parentes, e outros estão recebendo barracas de acampamento para fazem abrigos de emergência num morro próximo. A previsão é de que até o inicio da tarde toda a área de Outeiro, um distrito que nasceu no entorno de uma usina desativada, seja inundada.
O chamado Dique das Onças se rompeu por causa da força das águas do Rio Muriaé. Outeiro é uma área rural que tem cerca de 400 amílias. O caso é semelhante ao que aconteceu na quarta-feira com a localidade de Três Vendas, em Campos, quando uma cratera foi aberta pelas águas do Muriaé na BR-356. Outeiro fica bem próximo a Três Vendas. Segundo a Defesa Civil, a situação é delicada, mas não potencializa a cheia na área urbana de Cardoso Moreira, talvez o município mais castigado pela enchente da semana passada, e encontra-se praticamente isolada de Campos, por causa da queda de barreira em uma estrada vicinal entre as localidades de Palmares e Pureza, no município de São Fidélis. Em Outeiro moram cerca de 600 pessoas, que terão que deixar suas casas.
O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) tentará desobstruir, nesta segunda-feira, a estrada onde caiu uma barreira, que faz ligação com São Fidélis. O caminho alternativo mais razoável para quem saía de Cardoso Moreira rumo a Campos era essa via. Agora, resta apenas um, que passa por Bom Jesus do Itabapoana, aumentando o tempo de viagem em duas horas.
O secretário estadual de Agricultura, Christino Áureo, disse, em entrevista à rádio CBN, que, entre os principais prejuízos causados pelas chuvas no Noroeste Fluminense está a perda de 50 mil litros por dia de leite dos 500 mil geralmente produzidos. Até agora, já foram perdidos 300 mil litros. Ainda assim, o secretário acredita que por enquanto não haverá aumento de preços no mercado.
- A perda se dá mais pela falta de logística - afirmou o secretário, explicando que técnicos trabalham na ligação de Cardoso Moreira com Bom Jesus de Itabapoana e na ligação de Cardoso Moreira com São Fidélis.
Côrtes se reúne com prefeitos de cidades atingidas pelas chuvas
O secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, fará, nesta segunda-feira, um novo sobrevoo sobre as áreas afetadas pelas chuvas. Ele se reunirá, em Itaperuna, com prefeitos e secretários de saúde desses municípios e vai discutir a mudança de endereço de unidades de saúde localizadas em locais vulneráveis a enchentes e a transformação de unidades básicas em clínicas de saúde.
Essas prefeituras vão receber, ainda esta semana, cursos de técnicos da Secretaria de Saúde sobre cuidados de prevenção e, principalmente, sobre a correta conduta para diagnóstico e tratamento de doenças que costumam aparecer após as cheias, como a leptospirose.
Alerta máximo em Itaperuna
Em Itaperuna, vários deslizamentos de terra levaram a prefeitura a decretar alerta máximo. No domingo, a Defesa Civil do município constatou que o nível dos rios Muriaé e Carangola subiu uma média de sete centímetros por hora, o que obrigou moradores de áreas próximas às margens a abandonar suas casas. Em Miracema e Santo Antônio de Pádua, uma tempestade acompanhada de ventos fortes e granizo também provocou, entre a noite de sábado e a madrugada de domingo, cheia em rios e córregos. Em Campos, na madrugada de sábado, milhares de casas ficaram alagadas nos bairros Parque Aurora, Rosário e IPS, mas, na manhã de domingo, o quadro já era de normalidade.
Alerta máximo nos rios do Norte e Noroeste Fluminense
Dados do Sistema de Alerta de Cheias do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) mostram que está em alerta máximo o nível dos rios que cortam o Noroeste Fluminense. A situação é crítica no Rio Muriaé - que passa pelos municípios de Laje do Muriaé, Italva, Itaperuna, Cardoso Moreira e Campos -, Rio Carangola - que atravessa Porciúncula, Natividade -, Rio Pomba - que passa por Santo Antônio de Pádua -, Rio Itabapoana - que atravessa Bom Jesus de Itabapoana - e o Rio Paraíba do Sul - que corta Campos e é o principal da bacia.
Na Baixada Fluminense, também há locais em estágio de alerta máximo: Saracuruna, em Duque de Caxias. O rio Capivari, em Belford Roxo, que estava em estágio de alerta máximo até o início da manhã desta segunda-feira, voltou ao estágio de atenção. Os demais rios que atravessam a região também estão no nível de atenção, representado pela cor amarela. Na Região Serrana, estão em alerta (cor laranja) os rios Córrego D'antas e Bengalas, em Nova Friburgo. Nos outros municípios, a situação é de atenção.
E a chuva não dá sinais de que vai parar. De acordo com o Climatempo, há possibilidade de chuva em todo o estado do Rio nesta segunda-feira, principalmente na Região Serrana e no Norte Fluminense. No município do Rio, também deve chover e o mar pode voltar a ficar agitado. Na Região Metropolitana, a temperatura deve alcançar os 29°C. Na Região Serrana, a previsão é que a temperatura fique em 24°C, e no Norte, 26°C.
Chuvas provocam quedas de barreiras na Serra
A madrugada foi marcada por chuvas fortes em rodovias do estado e a ocorrência de deslizamentos de terra, que levaram à interdição de diversos trechos. Na Região Serrana, houve queda de barreiras em pelo menos dez pontos da Rodovia BR 040, que liga o Rio à Juiz de Fora. Um deslizamento atingiu a estrada na altura de Itaipava, que está operando em meia pista no sentido Rio.
Técnicos da Concer, concessionária que administra a via, trabalham nos trechos mais críticos para a retirada da terra e liberação das pistas. Estão interditados completamente os acessos e saídas entre a BR-040 e a BR-393, causando o fechamento total da saída do km 22, em Três Rios. No km 810, o acesso a Cotegipe e Matias Barbosa também encontra-se interditado. O trecho da Serra de Petrópolis tem fluidez normal.
A Concer ainda interditou parcialmente a pista sentido Juiz de Fora nos km 35, 34, 32, em Areal; nos 22 e 15, em Três Rios; no 9, em Levy Gasparian. Além disso, há interdições no sentido Rio nas alturas dos km 820, 827, em Simão Pereira, Minas Gerais; no km 1, em Levy Gasparian; e no 20, Três Rio.

oglobo.com

Dilma convoca ministros para avaliar ações contra chuvas e seca

A presidente Dilma Rousseff se reúne nesta segunda (9) e terça-feira (10) , em Brasília, com cinco ministros para discutir ações do governo federal para enfrentar os efeitos das fortes chuvas que atingem a região Sudeste e também os problemas causados pela estiagem nos Estados do Sul.


No domingo (8) à noite, os ministros da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, da Saúde, Alexandre Padilha, da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, e a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, se reuniram para avaliar as medidas tomadas até agora e preparar um balanço a ser apresentado a Dilma.

Minas é o Estado que mais registra prejuízos com as chuvas até agora, com 103 municípios em estado de emergência em decorrência dos estragos causados pelas enchentes e deslizamentos. De acordo com a Defesa Civil, 12 pessoas morreram desde outubro, início do período chuvoso. Dez dessas mortes aconteceram este mês.

Boletim da Secretaria Nacional de Defesa Civil apontou uma relação de municípios que ainda correm o risco de deslizamentos e enchentes, devido às chuvas. Na lista estão Nova Friburgo, Sumidouro e Cantagalo e São José do Vale do Rio Preto, no Rio, Belo Horizonte, Contagem e Ibirité, em Minas, e Vitória, Marechal Floriano, Santa Leopoldina, Viana, Cariacica e Serra, no Espírito Santo. O Rio Grande do Sul entra no grupo de monitoramento da Defesa Civil em decorrência da seca.

A seca, que atinge os Estados do Sul do país, já fez com que 106 municípios do Rio Grande do Sul decretassem situação de emergência ou calamidade, segundo boletim da Defesa Civil gaúcha. O governo estima que 460 mil pessoas tenham sido prejudicadas pela estiagem até o momento.

Além do Rio Grande do Sul, a estiagem atinge também Santa Catarina e Paraná. Até o momento, 63 municípios catarinenses decretaram situação de emergência e a Defesa Civil estadual estima que 407 mil pessoas tenham sido afetadas.

Fonte: Valor Econômico

domingo, 8 de janeiro de 2012

A música que confortou Dilma no presídio e o poder da canção


Quem não tem uma canção na vida? Aquela que marcou época, o primeiro beijo, a primeira transa, uma viagem, uma mudança, uma situação inesquecível? Música às vezes funciona como cheiro que quando bate nos faz lembrar. Uma fumaça que passa pode nos levar à beira de um fogão à lenha a quilômetros e quilômetros da metrópole até uma pequena fazenda no sertão.


Por Alberto Villas, em Carta Capital


Para um amor no Recife, de Paulinho da Viola, confortou a guerrilheira Dilma quando estava no presídio / Foto: AFP 

Músicas perdidas no ar vivem grudadas na memória. Mais de três décadas depois ainda hoje quando ouço Ednardo cantando Carneiro viajo até a Rue de la Roquette no outrora mais comunista dos bairros de Paris onde um grupo de exilados ouviu junto a canção pela primeira vez.

“Amanhã se der o carneiro/Carneiro/Vou-me embora pro Rio de Janeiro.”

Tenho um amigo que não pode ouvir Movimento dos Barcos na voz de Jards Macalé. Enfiado num terno no décimo andar de um prédio na Avenida Paulista ele tem vontade de vestir uma calça vermelha, um casaco de general, encher os dedos de anéis e sair por aí, pegar um velho navio acreditando que não precisa de muito dinheiro, graças a Deus.
Voltando à França dos anos 1970 ainda me lembro bem daquele sábado de final de dezembro num quarto de hotel em Gobelins ouvindo numa velha fita K-7 ao lado de Augusto Boal a canção que Chico fez pra ele.

“Meu caro amigo, me perdoe, por favor/Se eu não lhe faço uma visita/Mas como agora apareceu um portador/Mando notícias nessa fita/Aqui na terra tão jogando futebol/Tem muito samba, muito choro e rock and roll/Uns dias chove, noutros dias bate sol/Mas o que eu quero é lhe dizer/Que a coisa aqui tá preta/Muita mutreta pra levar a situação/Que a gente vai levando/De teimoso e de pirraça/E a gente vai tomando, que também/Sem a cachaça/Ninguém segura esse rojão.”

O rei Roberto, esperto, soube traduzir bem tudo isso cantando As canções que você fez pra mim.

“Hoje eu ouço as canções que você fez pra mim/Não sei por que razão tudo mudou assim/Ficaram as canções e você não ficou.”
Algumas músicas ficam mesmo para sempre. Em 1971, a guerrilheira Dilma Rousseff estava comendo o pão que o diabo amassou no presídio da Avenida Tiradentes em São Paulo e era uma canção que muitas vezes confortava aquelas mocinhas que viviam ali naqueles poucos metros quadrados imundos e fétidos. Cada guerrilheira nova que chegava Dilma a recebia com um acalanto porque não estava fácil segurar o rojão.

A história está muito bem contada no livro A Vida quer é coragem de Ricardo Batista Amaral. Quando bati os olhos na pagina 78, fiquei imaginando Paulinho da Viola lendo aquilo. Será que ele sabia que a futura presidenta do Brasil tinha na cabeça, naqueles momentos de aflição, uma canção sua?
A uruguaia Maria Cristina Uslendi conta que em outubro de 1971, toda vez que voltava das sessões de tortura encontrava Dilma de braços abertos “me amparando, me ajudando a usar a latrina quando não tinha forças, me dando sopinhas de colher na boca, me cedendo a parte de baixo do beliche e pondo na vitrolinha de pilhas as melhores músicas da MPB”.

Cristina conta que Dilma sempre pedia a ela que prestasse muita atenção à letra de Para um amor no Recife, uma canção de Paulinho que diz assim:

“A razão por que mando um sorriso/E não corro/É que vou levando a vida/Quase morto/Quero fechar a ferida/Quero estancar o sangue/E sepultar bem longe/O que restou da camisa/Colorida que cobria minha dor/Meu amor eu não esqueço/Não se esqueça, por favor,/Que voltarei depressa/Tão logo a noite acabe/Tão logo este tempo passe/Para beijar você.”

Pois é, existem canções que são verdadeiros rios que passam na vida da gente.


www.vermelho.org.br

Somália: Mulheres enfrentam a dor de serem espólio de guerra


A voz da menina quase sumiu quando ela narrou a tarde ensolarada em que saiu de sua cabana e viu sua melhor amiga enterrada até o pescoço na areia. Ela tinha cometido o erro de recusar-se a casar com um comandante do Al-Shabab. Agora, estava prestes a ter sua cabeça esmagada, pedra por pedra. "Você é a próxima", disse o comandante do Al-Shabab. A menina, uma frágil jovem de 17 anos de idade, vivia com seu irmão em um miserável campo de refugiados.


Por Jeffrey Gettleman



NYT
Mulheres somalis
Fartuun Adan, que coordena centro Elman, uma das poucas organizações para ajudar
vítimas de estupro, se reúne com mulheres nessa situação
Vários meses depois, os homens voltaram. Cinco militantes invadiram seu barraco, a prenderam e a estupraram, segundo seu relato. Eles alegaram estar em uma jihad, ou guerra santa, e que qualquer resistência seria considerada um crime contra o Islã, punível com a morte. "Eu tenho muitos sonhos ruins sobre esses homens", disse ela, que recentemente escapou da área que o grupo controla. "Eu não sei qual é a religião deles."

A Somália tem sofrido décadas de conflitos e caos, as suas cidades estão em ruínas e o seu povo passa fome. Apenas esse ano, dezenas de milhares de somalis morreram de fome, com inúmeras outros perdidos em batalhas intermináveis. Agora, eles enfrentam outro terror generalizado: um aumento alarmante no número de estupros e abusos sexuais de mulheres e meninas.

O grupo militante Al-Shabab, que se apresenta como uma força rebelde moralmente justa e defensora do puro Islã, tem se apropriado de mulheres e meninas como espólios de guerra, estuprando em grupos e abusando delas como parte de seu reinado de terror no sul do país, segundo as vítimas, trabalhadores humanitários e funcionários da ONU. Sem dinheiro e perdendo terreno, os militantes estão forçando famílias a entregar a mão de suas meninas para casamentos arranjados que não duram mais que algumas semanas de escravidão sexual, essencialmente uma forma barata de aumentar a moral de suas tropas.

Fome aumenta a vulnerabilidade

Mas não é apenas o Al-Shabab. Nos últimos meses, trabalhadores humanitários e vítimas têm culpado grupos de homens armados por atacar mulheres e meninas deslocadas pela fome que atinge a Somália, que muitas vezes caminham centenas quilômetros em busca de alimento e acabam em campos de refugiados lotados e sem lei onde militantes islâmicos, milicianos e até soldados do governo estupram, roubam e matam impunemente.

"A situação está se intensificando", disse Radhika Coomaraswamy, representante especial da ONU para Crianças e Conflitos Armados. Segundo ela, todas as fugas recentes criaram uma onda de estupros oportunistas, e "para o Shabab o casamento forçado é outro aspecto usado para controlar a população".

Nos últimos dois meses, apenas em Mogadíscio, as Nações Unidas disseram ter recebido relatos de mais de 2,5 mil atos de violência baseados no gênero, um número incomumente elevado. Como a Somália é uma zona proibida, a ONU afirmou não ser capaz de confirmar os relatos, passando a responsabilidade para organizações locais.

A Somália é um lugar profundamente tradicional, onde 98% das mulheres são sujeitas à mutilação genital, segundo pesquisas. A maioria das meninas são analfabetas e relegadas a permanecer em suas casas. Quando se aventuram fora, geralmente é para trabalhar, caminhando através dos becos cheios de entulho das cidades do país, envoltas em tecidos espessos da cabeça aos pés, carregando muitas vezes algo sobre a cabeça, sob o incessante sol equatorial.

A fome e o deslocamento das massas tornaram mulheres e meninas mais vulneráveis. Muitas comunidades somalis foram encerradas, com homens e rapazes forçados a entrar para milícias, e mulheres solteiras, com filhos a tiracolo, partindo para campos de refugiados.

"Casamento" como pagamento militar

Ao mesmo tempo, trabalhadores humanitários e funcionários da ONU dizem que o Al-Shabab, que está lutando contra o governo de transição para impor uma versão dura do Islã nas áreas que controla, já não pode pagar seus vários milhares de combatentes como antigamente. Ao mesmo tempo que apreende colheitas e gado, o grupo concede aos militantes "esposas temporárias" como gratificação.

Mas esses casamentos dificilmente são reais, explicou o xeque Said Mohamed Ali Farah, ex-combatente do Al-Shabab que desertou para o comando do exército do governo. "Não há clérigo, cerimônia, nada", disse, acrescentando que combatentes do Al-Shabab foram casados com meninas de até 12 anos de idade, que são usadas por contingentes inteiros e abandonadas. Se uma garota se recusar, "ela é morta por pedras ou balas".

Uma jovem acaba de ter um bebê, metade somali, metade árabe. Ela disse que foi selecionada por um comandante Al-Shabab da Somália que conhecia, levada para uma casa cheia de armas e entregue a um árabe, um dos muitos estrangeiros que lutam pelo Al-Shabab. "Ele fez o que quisesse comigo", disse ela. "Noite e dia." Ela disse que fugiu enquanto ele dormia.

A difícil ajuda

O Centro Elman para a Paz e os Direitos Humanos é uma das poucas organizações somalis que ajudam vítimas de estupro. Ela é dirigida por Fartuun Adan, uma mulher cujo marido, Elman, foi morto a tiros por senhores da guerra anos atrás. Adan diz que desde que a fome começou, ela tem recebido centenas de mulheres que foram violadas e centenas mais que fugiram de casamentos forçados.

"Você não tem ideia de como é difícil para elas procurar ajuda", disse. "Não há justiça aqui, nenhuma proteção, as pessoas dizem que 'você é lixo' se foi estuprada."

Muitas vezes, as mulheres ficam feridas ou grávidas e são forçadas a procurar ajuda. Adan quer expandir seu aconselhamento e serviços médicos para vítimas de estupro e, possivelmente, abrir uma casa segura, mas isso é difícil de fazer com um orçamento de US$ 5 mil mensais, fornecido por uma pequena organização de ajuda chamada Sister Somália.

Durona, mas não impenetrável, Adan chorou outro dia ao ouvir uma menina de 17 anos contando a história de como foi ver sua amiga ser apedrejada até a morte e depois ser estuprada por um grupo de homens. "Essas meninas me perguntam: 'Como é que eu vou casar, o que vai ser do meu futuro, o que vai acontecer comigo?' Não podemos responder a isso."

Algumas das mulheres no escritório de Adan parecem ter vindo de outro tempo. Elas chegaram com a ajuda da rede de contatos de Elman, que chega a mais longínqua região rural da Somália, onde as mulheres ainda são tratadas como bens.

Uma jovem de 18 anos, que pediu para ser chamada de senhorita Nur, um sobrenome comum no país, se casou aos dez anos. Ela era nômade e diz que até hoje nunca usou um telefone ou viu televisão.

Ela disse ter sido estuprada por dois combatentes Al-Shabab em um acampamento de pessoas deslocadas, em outubro. Segundo seu relato, os homens não se preocuparam em falar muito quando entraram em sua tenda. Eles apenas apontaram suas armas para o seu peito e proferiram três palavras: fique em silêncio.

Fonte: The New York Times
Tradução: iG


sábado, 7 de janeiro de 2012

Odete Rocha segue confiante em sua candidatura


 

Pré-candidata à Prefeitura de Campos, a presidente do PCdoB municipal, professora Odete Rocha, se diz confiante na sua candidatura e conta com a renovação do eleitorado campista para conseguir um bom desempenho na busca pela sucessão.

— Um terço do eleitorado campista não foi às urnas em 2008. O quadro eleitoral de Campos mudou bastante e nos colocamos como a alternativa, com a terceira via, já que nunca tivemos mandato. Somos a opção diferenciada do que já se teve. Não podemos menosprezar os adversários. A soberba leva à derrota. Quando somos soberbos reconhecemos a força do adversário. Mas estou confiante sim na minha candidatura. Sei que nada é eterno, tudo muda e nada é para sempre. Nessa perspectiva, sou confiante na nossa candidatura — afirmou Odete que, na disputa de 2008, foi considerada a grande surpresa da campanha eleitoral conquistando 27 mil votos.

Folha da Manhã

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Sobe para 87 o número de cidades mineiras em emergência após chuvas



No total, 142 municípios foram atingidos pelas tempestades. Pelo menos oito pessoas morreram e uma está desaparecida

iG São Paulo | 05/01/2012 17:56 - Atualizada em 06/01/2012 08:34

Chegou a 87 o número de municípios mineiros que decretaram situação de emergência em consequência das chuvas que atingem o Estado deste outubro do ano passado. No total, 142 cidades foram atingidas pelas tempestades, afetando 2.151.001 pessoas em todo o Estado, segundo dados da Defesa Civil estadual. Oito pessoas morreram em uma continua desaparecida.
Previsão do tempo: Chuva em BH deve continuar nos próximos dias
Vai sair de casa? Veja como está o trânsito em Belo Horizonte

Foto: AE
Alagamento em Juatuba, região onde casas ficam encobertas pelas águas do rio Paraopeba
Nesta quinta-feira, a presença de uma frente fria entre o litoral do Espírito Santo e Bahia juntamente com a umidade vinda da Amazônia mantém o tempo mais nublado e chuvoso na faixa leste de Minas Gerais. Ao longo do dia, há chance de chuva significativa com acentuado volume de precipitação, especialmente em áreas dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Rio Doce.
Segundo a Defesa Civil, nesta áreas ainda se deve redobrar o cuidado por causa dos alagamentos, deslizamentos de terra e elevação de nível dos rios. As temperaturas diurnas sofrem uma ligeira elevação em boa parte do Estado.
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O órgão manteve em 8 o número de mortos em decorrência das chuvas que atingem os Estado desde outubro. As últimas mortes ocorreram na terça-feira e foram confirmados nesta quarta-feira pelo orgão. Além dos dois taxistas de Ouro Preto, na região central de Minas Gerais, dois homens morreram na cidade de Guidoval, na zona da mata mineira.

Foto: AE
Imagem aérea da cidade de Ponta Nova mostra casa com água até perto do telhado
Segundo a Defesa Civil, pelo menos uma pessoa continua desaparecida na cidade de Santo Antônio do Rio Abaixo. Rita Vieria de Souza, de 74 anos, morava às margens do córrego dos Bambus e foi arrastada pelo rio no dia 30 de dezembro.
Conforme balanço divulgado, o total de desalojados no Estado ultrapassa o número de 9.880 e há 512 pessoas desabrigadas. Mais de 3.301 casas e 116 pontes foram danificadas. Outras 101 casas e 89 pontes foram destruídas.
Estradas
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o período de chuvas complicou a situação nas principais estradas do Estado. Ocorreram quedas de barreiras e o trânsito dos veículos foi alternado em alguns pontos. Confira as condições de tráfego nas principais rodovias:
Na BR-267, na altura do km 219, região de Arantina, o trânsito flui em meia pista, sem congestionamento. Já na região de Machado, no km 448, o trânsito foi alternado e não há índice de congestionamento. Na BR-262, em Bela Vista de Minas, ocorreu um erosão na pista, sentido Belo Horizonte, e o trânsito foi alternado.




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